OPINIÃO

Doria e Temer em uma aliança contra o Brasil

João Doria se autoproclama gestor e não um político, mas bastou chegar ao poder para se mostrar um político compromissado com o atraso.

06/07/2017 17:50 -03 | Atualizado 06/07/2017 17:50 -03
AFP/Getty Images
João Doria apoia a permanência de Michel Temer na presidência mesmo após sua acusação de corrupção passiva.

João Doria se autoproclama gestor e não político, mas bastou chegar ao poder para se mostrar um político compromissado com o atraso.

Sem qualquer pudor, quer que Michel Temer permaneça na Presidência, mesmo depois de vermos, pela primeira vez na história, um presidente da República ser acusado formalmente perante o Congresso Nacional. Doria e seu partido, o PSDB, apoiam Temer porque têm cargos no governo federal.

Ou seja, abandonam o discurso da ética em troca de algumas boquinhas na Esplanada. Em suas falas, o prefeito exalta a estabilidade econômica e institucional, que não existe no Brasil real, cumprindo com o roteiro desenhado pelo presidente denunciado, seus aliados e os neófitos, como Doria.

De olho em 2018 e contra seu próprio padrinho político, Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo se dedicou, nos últimos meses, a andar pelo País em reuniões e jantares com socialites e empresários, fazendo propaganda de sua gestão.

Mas ninguém sabe bem quais os seus feitos. Até Fernando Henrique Cardoso, de seu mesmo partido, já disse publicamente que, até aqui, Doria não fez nada e seria apenas "bom ao celular".

Enquanto isso, a cidade de São Paulo enfrenta graves problemas. Principalmente na periferia, os paulistanos já começam a sentir os efeitos de uma cidade abandonada e a falta de compromisso do prefeito.

Desde o começo do ano, sob alegação de ajustes financeiros, paralisou obras que estavam em andamento na Capital, reduziu contratos de manutenção e iniciou um processo de sucateamento de estruturas e equipamentos públicos com foco na privatização. Governa aos moldes de Temer e da agenda de retirada de direitos.

O resultado é sentido e visto pelas pessoas: ruas esburacadas, semáforos quebrados sem contrato de manutenção, falta de materiais em escolas e postos de saúde, além do crescente lixo e mato espalhados na cidade.

Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira, 29, mostrou que, mesmo com dinheiro em caixa, o prefeito quer somente voltar a investir em 2018. faz isso para alimentar seu sonho de ser candidato a presidente.

As obras da gestão de Fernando Haddad que estavam adiantadas foram todas paradas. Um exemplo são os dois novos hospitais municipais: Parelheiros, no extremo sul, e Brasilândia, na zona Norte.

Em outra frente, as ações de controle e combate às enchentes tiveram 84% de seu orçamento congelado pela Prefeitura. A cidade sabe o que acontece no período de chuvas, ainda mais sem obras e planejamento. Ele vai culpar, como sempre faz, a gestão anterior?

Políticas públicas como combate ao racismo e à violência contra a mulher tiveram 100% de seus orçamentos congelados. Ou seja, optou-se por não gastar um centavo nestas áreas. Isso mostra o descaso com temas fundamentais para a promoção de uma cidade mais justa e igual. Equipamentos como as casas de apoio às mulheres vítimas de violência nas zonas Leste e Sul estão fechadas ou trabalhando com ajuda de doações.

O homem que se apresenta como novo utiliza práticas retrógradas e bem conhecidas do que de pior há na gestão pública: priorizar seus interesses e de seus amigos contra as necessidades da população.

Torço muito para que o bom senso e a capacidade de governar de verdade ganhem espaço na agenda diária do prefeito e de sua equipe. É disso que a capital precisa, mas Doria não parece pensar em nada além dos seus interesses políticos e econômicos. Seus e daqueles que o sustentam e seguem.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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