OPINIÃO

Como aprendi a amar São Paulo

25/01/2016 08:20 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução

Qual é o sonho de quem vem pra São Paulo? Essa cidade imensa, tão diversa em tantos aspectos, à primeira vista não parece nada hospitaleira, mas um monstro cinza impiedoso. Pelo menos, era o que eu achava.

De "grande vilarejo" a uma das principais cidades do continente, a Capital paulista se torna referência em ascensão social entre o final do século XIX e o início do século XX. O Eldorado brasileiro. Destino certo para quem desejava trabalhar para ter uma vida tão próspera quanto a própria cidade.

Ao longo de décadas, milhões deixaram pra trás sua história e construíram aqui seu presente. Deram o suor de seu trabalho, formaram famílias, tornaram-se paulistanos e paulistanas. Obviamente, muitos não conseguiram realizar seu sonho de prosperidade. Mas mesmo esses ajudaram a moldar a metrópole viva, cosmopolita, gigantesca e, porque não, acolhedora que é hoje.

E milhares ainda vêm. São Paulo é agora lar de haitianos, sírios e outros povos que não encontram mais esperança em seus países e conseguiram achar um porto acolhedor em nossa caótica metrópole.

E mesmo que pesquisas atuais mostrem importantes fluxos migratórios partindo daqui e do Rio de Janeiro para outras capitais e centros urbanos do país, São Paulo ainda é um importante destino para jovens brasileiros, em busca de formação e oportunidades.

No final, paulistanos somos todos, os nascidos aqui e os que adotaram a cidade para viver. E eu sou um exemplo disso. Nasci em Araraquara, no interior do Estado. Meu envolvimento com as comunidades de base da Igreja Católica me trouxe para a Capital no início da década de 80.

Dividido entre a vocação e a efervescência política do início do Partido dos Trabalhadores, escolhi o Parque São Rafael, na Zona Leste, para começar minha trajetória aqui.

Em algum ponto do caminho, quem adota São Paulo começa a ver seu lado mais carinhoso, mesmo que ainda enxergue claramente sua face inóspita, tão presente em nosso dia a dia. E foi o que aconteceu comigo.

Hoje vejo que, assim como outros migrantes que tinham o sonho de uma vida melhor, passei a conhecer bairros e suas peculiaridades, a conviver com tanta gente de tantos lugares diferentes, a frequentar locais de tamanha riqueza cultural e social, de muita história e modernidade juntas, que não há como não se apaixonar por São Paulo.

Segui o caminho da política até ser eleito vereador porque esta cidade e sua população me dão, diariamente, uma quantidade enorme de razões para amar São Paulo.

Mas ainda há outra enorme quantidade de motivos pelos quais trabalho para ajudar a construir uma cidade melhor, especialmente, para os paulistanos e paulistanas que dão duro para fazer a vida por aqui e que precisam muito mais da atuação do poder público em seu dia a dia.

Parabéns, São Paulo!

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