OPINIÃO

Saúde é riqueza

17/02/2014 14:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Enquanto damos muita atenção ao enorme desafio dos custos da saúde pública, principalmente enquanto as doenças não contagiosas migram do atendimento agudo ao crônico, a prevalência do que eu chamaria de "não saúde" é igualmente dispendiosa. Considere isso pela lente da nutrição: a má alimentação (desnutrição assim como superalimentação) é analisada todos os anos.

Precisamos nos concentrar em uma cultura de vida saudável e prevenção. Infelizmente, tendemos a só dar valor à saúde quando a perdemos. Essa posição padrão tem de mudar. Precisamos "induzir" a saúde assim como "corrigir" a saúde. Isso significa que os sistemas de atendimento à saúde precisam ser (re)organizados para dar tanto enfoque à saúde induzida quanto ao atendimento corretivo. Mas também precisamos examinar a questão de modo muito mais amplo: todo o ecossistema de saúde precisa ser realinhado para induzir a saúde. Isso significa que precisamos abordar as condições estruturais -- educação (inclusive física) e regulamentação mais inteligente, por exemplo. Precisamos abordar ao mesmo tempo o lado da oferta e o lado da demanda do sistema. Basicamente, todos precisamos atuar juntos na mesma direção, e os incentivos precisam ser coerentes e autoestimulantes.

O que está claro é que a indústria alimentícia tem um papel a cumprir nessa discussão comum. Além disso, acredito que a indústria alimentícia está pronta para se envolver e assumir responsabilidades. É claro que isso implica algumas grandes mudanças, mas esse é o destino da indústria alimentícia desde o início: reagir a novas necessidades e exigências da sociedade em evolução. Necessidades geradas por mudanças nos esquemas de trabalho/mão de obra, como a entrada das mulheres na força de trabalho, ou por estilos de vida modernos como a vida urbana moldaram intensamente o desenvolvimento da indústria ao longo do tempo.

Os governos devem estabelecer parâmetros. Os indivíduos, que em certo sentido são "donos" de sua saúde, devem reconhecer seu papel e assumir o desafio de levar uma vida saudável. A indústria, por sua vez, deve atuar conforme seus compromissos. O interesse próprio influirá muito nessa atuação: não podemos ser uma empresa saudável em uma sociedade sem saúde. A compreensão e o reconhecimento explícitos do feedback entre a geração de valor para a sociedade e de valor para a empresa estão cada vez mais comprovados e vão catalisar a inovação e a criatividade da indústria para fornecer soluções de vida saudáveis.