OPINIÃO

Por que é preciso falar sobre o consumo responsável da maconha

Quando a cannabis é legalizada, discute-se cultivo, espécies, pesquisas científicas, indicadores sociais, propriedades medicinais e industriais.

11/12/2017 14:13 -02 | Atualizado 11/12/2017 14:14 -02
Patrícia Álvares
Flores de maconha expostas na Expo Cannabis Uruguay 2017.

A participação massiva de brasileiros na Expo Cannabis Uruguay 2017 chamou a atenção. Entre os corredores da feira que oferecia as mais variadas informações e produtos relacionados com a temática quase não se escutava espanhol.

Um jovem casal gaúcho disse ao HuffPost Brasil que veio de carro exclusivamente para acompanhar o evento, que aconteceu de 8 a 10 de dezembro. Outros se organizaram em caravanas. E ali estavam, fascinados em um lugar onde a maconha não somente está legalizada, mas também onde se pesquisa suas propriedades medicinais, industriais e recreativas.

Engana-se quem pensa que o local se parecia a um antro esfumaçado, com gente chapada escutando reggae. A legalidade traz consigo uma série de responsabilidades. Desde que a cannabis foi regulada no Uruguai, em 2014, há uma forte campanha preventiva e informativa sobre seu uso, tal qual ocorre com o álcool e o cigarro. E na Expo não era diferente.

Não à toa, os ministérios da Agricultura, Educação, Indústria e Turismo apoiaram a organização, além da prefeitura de Montevidéu e outros entes estatais e privados, incluindo meios de comunicação. O que isso significa? Que o governo, o empresariado e a sociedade estão interessados em aprender mais sobre esta planta tão cheia de tabus e possibilidades.

Participando dos três dias do encontro, o catarinense Charles, de 36 anos, ficou impressionado com a presença de "verdadeiros mestres do plantio da Espanha e do Brasil". Pesquisador do tema, interessou-se particularmente pelas atividades referentes aos avanços da medicina no assunto e pelas oficinas de cultivo. Em sua opinião, as pessoas no Brasil estão "muito mal informadas".

"Inclusive os que fumam sabem pouco ou nada. Muita gente pensa que maconha só serve para ficar chapadão e não é assim", considerou em diálogo com o HuffPost.

Uma brasileira que vendia um lubrificante vaginal à base de azeite de cannabis e coco fez sucesso no boca a boca da feira. "As pessoas voltam para me contar coisas íntimas da experiência orgástica que tiveram. Todo mundo fica querendo mais", contou ao HuffPost enquanto visitantes se aproximavam curiosos sobre o tal "produto mágico".

De acordo com os organizadores desta quarta edição, os brasileiros também marcaram presença entre os stands expositores, com 30% de participação. As discussões giraram em torno do cultivo da planta, tipos de espécies, pesquisas científicas, indicadores sociais, o impacto da lei aprovada pelo ex-presidente José Mujica, além de propriedades medicinais e industriais.

Entre os conferencistas, outro brasileiro chamou a atenção. O fotojornalista carioca Matias Maxx lotou o auditório em uma palestra sobre o processo de produção da maconha paraguaia. Ele conheceu o produto pessoalmente para uma série de reportagens. Maxx também apresentou um documentário sobre a regulação da maconha no Uruguai.

Expo Cannabis Uy 2017

Havia, sim, música, com bandas locais, não necessariamente de reggae. E, sim, era permitido fumar nas áreas abertas, assim como em todo o território uruguaio. A venda de bebidas alcoólicas, como as populares cervejas artesanais que roubavam a cena nas áreas chill out, só estava permitida a partir das 17h, e a entrada de menores de idade era proibida. A impressão que ficou de um evento tão amplo e organizado foi a de que o pequeno Uruguai realmente plantou uma semente gigante do futuro. Os participantes brasileiros que o digam.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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