OPINIÃO

Histórias de um domingo crespo

30/07/2015 10:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

*Fotos por Natália Mota

A manhã do dia 26 de julho é mais uma daquelas que desbanca os meteorologistas. Apesar de a previsão dizer que o céu estaria encoberto, a sempre sábia natureza se rebela: limpo e azul. Um daqueles dias a que os paulistanos estão habituados, especialmente nessa época do ano, em que o dress code básico é regata no sol e casaco na sombra. O clima ideal para apanhar a bicicleta e pedalar pela ciclovia recém-inaugurada na Avenida Paulista, nossa Champs-Élysées tupiniquim.

Aos domingos, o vão livre do Museu de Arte de São Paulo é tradicionalmente mais movimentado que o normal. Os artistas de rua, que costumam estirar seus panos coloridos e vender artesanatos ali mesmo ao longo da semana, dão lugar à requintada feira de antiguidades, que atrai olhares curiosos e clientes que, mesmo com a instabilidade econômica que vive o país, parecem dispostos a comprar itens de porcelana inglesa, baixelas e talheres de prata, óculos Ray Ban antigos de diversos modelos, uma máquina de escrever antiga ou até mesmo um grande gramofone marrom e dourado.

Ali também estão escritores independentes que tentam vender seus livros. Ivan Petrovitch é um deles. Ele se aproxima com sua mais recente publicação de poemas, sugerindo uma leitura de acordo com a feição da pessoa abordada. Os clientes em potencial de sua arte são vários, já que aguardam ociosos na não tão longa fila para comprar seus tickets na bilheteria do museu. Turistas e entusiastas da arte erudita esperam sua vez de passar pela revista e, enfim, ingressar às exposições Arte da França - de Delacroix a Cézanne e Arte da Itália - de Rafael a Ticiano.

Até aqui, por volta das 12h30, ciclistas, artesãos, poetas, feirantes, clientes ou meros transeuntes são, em sua maioria, pessoas brancas.

Passado o vão sob o MASP e chegando à área aberta que dá vista à Avenida Nove de Julho, logo atrás da cabine onde visitantes estrangeiros compram seus ingressos, noto o primeiro contraste: um corpo inteiramente coberto por um edredom claro e sujo. Pensei imediatamente que se tratava de uma pessoa morta, mas ao reparar que o tecido se mexia, concluo que, na realidade, esse era o leito de um morador de rua. Naquele momento, ele ou ela pouco se importava com arte ou com o dia bonito que fazia - queria apenas dormir em paz. Mesmo que não tenha visto seu rosto, é difícil não acreditar que, assim como todos os outros desabrigados que encontrei no local, aquela não era também uma pessoa negra...

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Mais adiante, já nas muretas, esparsas pelo pátio ou chegando aos poucos sozinhas ou em grupos, as primeiras cores começam a despontar em meio à branquidão: cada novo integrante que se juntava aos que ali estavam era como se alguém alterasse em tempo real os níveis de cor e contraste daquela imagem - o branco, ausência de cor-pigmento, gradativamente cede lugar ao preto, junção de todas as cores desse tipo.

À espera do início da primeira Marcha do Orgulho Crespo, crianças, jovens e idosos negros ocupam o espaço. Junto deles, claro, seus cabelos: vermelhos, rosas, loiros, roxos, de coloração natural; black powers, tranças, dreadlocks, cachos retorcidos, undercuts, topetes, detalhes Razor Blade, cabeça raspada para homens e mulheres; curtos, longos, volumosos, mirrados, mais ou menos bem cuidados, cachos mais soltos ou apertados. Identidades fortes manifestadas pela perfomance de cortes, penteados e estilos, todos crespos.

Nanda Cury já está por lá. Com a ajuda de outras ativistas, começa a escrever com tinta spray, sem decalques ou moldes, em um tecido branco, que será a faixa principal daquelas que guiarão a passeata. Ela nunca imaginou que uma foto dela ao lado do dançarino de Break Nelson Triunfo, publicada na página no Facebook de seu Blog das Cabeludas, daria início a um movimento organizado como este.

Vem aí a Parada do Orgulho Crespo 󾀍❤️󾍘 Quem anima?

Posted by Blog das Cabeludas - cabelo crespo, afro hair, black power on Segunda, 8 de junho de 2015

Nanda se lembra quando decidiu deixar livres pela primeira vez os cabelos mal tratados por anos de escova e chapinha. Ela os tinha alisado pouco antes de ir à praia com Giovanna, uma amiga querida. Lá, a hoje ativista em prol da liberdade capilar se recusava a nadar, embora fizesse um belo dia de sol. Depois de muita insistência por parte da amiga - a quem Nanda agradece eternamente - ela decidiu mergulhar e deixar de vez os alisamentos para trás.

Graças a essa mudança, ocorrida em 2009, e ao Black que com o tempo ia se avolumando em sua cabeça, ela começou a se reconhecer em outras mulheres que passavam na rua com cabelos semelhantes aos seus. Mesmo escutando barbaridades como a do ex-chefe que disse que poderia fazer uma "vassoura de piaçava" com eles, Nanda não retrocedeu. Foi o penteado afro de uma pequena menina chamada Letícia que a inspirou a tirar uma foto e publicá-la via redes sociais como símbolo de luta por meio da livre manifestação do estilo. Nascia assim o Blog das Cabeludas.

Seis anos depois de muitas fotos e histórias, Nanda, em parceria com o Coletivo Hot Pente e a ocupação artística Casa Amarela - que atualmente luta para não ser desapropriada -, conclamam crespas e crespos a marchar e debater sobre temas comuns às vidas dessas pessoas. A pauta é extensa e complexa: estereótipos, preconceito racial, falta de visibilidade e representatividade, protagonismo feminino.

A efervescência dos ânimos começa já na concentração. Absolutamente tudo o que os presentes fazem ou falam é um ato político: cabelos, roupas, gestos, publicações nas redes sociais, abraços, beijos, sorrisos. Cada detalhe parece gritar: "Ei, escutem: eu existo, por favor, me respeitem!". E convenhamos: clamar por dignidade não pode ser exigir demais.

O nível de politização é indiscutivelmente impressionante. Penso que o enfrentamento diário pelo qual essas pessoas passam não é algo que aqueles que não têm de encará-lo possam bem dimensionar. Aí está a importância da palavra por todos ali repetida à exaustão: empoderamento. Ocupar espaços não apenas nas ruas, mas na cultura. "Cabelo ruim", "coisa de preto", "dia de branco", "negros são exóticos"... Vícios que teimamos em reproduzir ad infinitum e sobre os quais sequer refletimos. É fácil ser o lado forte desse elo.

Justamente por isso, o DJ Rodrigo Silva, que também espera pelo início da marcha, queixa-se da falta do ensino de História negra nos colégios. De modo muito perspicaz, o jovem músico de longuíssimos dreads percebe que a maioria das pessoas sabe apenas que, no passado, negros foram escravos e, um dia, uma mulher branca assinou um papel que lhes absolvia desse fardo. Qualquer outra contribuição científica, cultural ou mesmo uma reflexão mais crítica sobre essa "liberdade" que foi dada ao povo negro caem sistematicamente no ostracismo.

Rodrigo, amante da Black Music, é pai do pequeno Cassiano Soul, de apenas 4 anos. Cheio de estilo com um enorme cabelo Black Power, calça jeans skinny e jaqueta de colegial azul-marinho, o menino chama a atenção de todos os manifestantes e principalmente dos fotógrafos e cinegrafistas a sua volta. Para o pai, é fundamental que Cassiano esteja num ambiente como este para que a criança se reconheça em seus iguais. O DJ comenta que com o passar do tempo as pessoas de sua família foram embranquecendo, não apenas pela miscigenação, mas principalmente pelo abandono progressivo de sua negritude. Hoje, com Cassiano no colo, ele irá marchar para resgatá-la.

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Quem também fala do filho Jorge que, infelizmente, não pôde comparecer ao evento é a militante Vevê Gengo. Ela descreve uma situação hilária em que ele, ao ver uma modelo negra de cabelos alisados em um site sobre moda e beleza, falou "Ah, mãe, num dá! Ela é preta, né!". Vevê, que carrega no olhar, na fala e nos cabelos crespos tingidos de roxo o furor da luta pró-igualdade racial, orgulha-se de preparar o filho para o embate ao aproximá-lo desse tipo de discussão política desde cedo.

Enquanto Rodrigo e Vevê conversam sobre a educação de seus filhos, Nanda apanha o pequeno megafone e, interrompendo as conversas paralelas, pede a todos que façam uma grande roda, pois, a essa altura, já é possível contornar praticamente toda a extensão do pátio com as cerca de 400 pessoas ali reunidas. Feito o círculo, cantam a música "Olhos Coloridos", de Sandra de Sá, e gritam "Orgulho Crespo!" com seus braços direitos em riste e punhos fechados, em clara alusão à saudação Black Power, eternizada pelo movimento negro estadunidense dos Panteras Negras.

São 15h12 quando gritos agudos, desses de arder os ouvidos, reverberaram pelo vão do MASP. Deixando os presentes em polvorosa, a raper Karol Conká entra na roda, desfilando e estalando os dedos. Ela usa grandes óculos de sol, roupas e acessórios coloridos, um mini Black Power cor-de-rosa berrante e bebe, sorridente, um suco de uva light. Como é de praxe entre celebridades, ela está cercada de fotógrafos e cinegrafistas que se digladiam por seu melhor ângulo.

Ao apanhar o megafone de fraca potência, a grande roda se desfaz quase que instantaneamente. Todos querem ouvir o que Karol tem a dizer.

"Eu acabei de chegar de Brasília porque eu estava no festival Latinidades em comemoração ao dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. Se ontem eu já estava me sentindo 100% negra, aqui eu me sinto 200%".

Sua voz é abafada por uma onda potente de gritos e aplausos.

"Mas, antes de a gente sair pra marcha, eu preciso contar uma história pra vocês: um menino que eu gostava quando eu era mais nova falou 'só vou namorar você se você pular numa piscina de água sanitária'. Chegando em casa, eu fui fazer o teste e fui molhar o dedo com água sanitária pra ver se branqueava a minha pele".

Contando como depois desse triste episódio a mãe a obrigara a se olhar no espelho e repetir "Eu sou preta linda!" e finalizando seu poderoso discurso com palavras de incentivo, Karol arranca mais aplausos e gritos comovidos, dando início à caminhada.

À frente do curto trajeto de cerca de dois quilômetros entre o MASP e a ocupação artística Casa Amarela, localizada à altura do número 1000 da Rua da Consolação, vão Karol, Nanda e outras ativistas, que empunham a faixa feita poucas horas antes. Os manifestantes gritam palavras de ordem e parecem colocar para fora todo o sentimento entalado na garganta.

"Orgulho Crespo!"

"Racista passa mal, meu cabelo é natural!"

"Quero trabalhar com meu cabelo assim!"

"Em terra de chapinha quem tem cacho é rainha!"

"Não é mole não, o meu cabelo é orgulho da nação!"

"Brasil é crespo! Brasil é crespo!"

"Quem não pula quer chapinha! Quem não pula quer chapinha!"

"Mulata, não! Negra, SIM!"

"UH, aceita! UH, aceita!"

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É uma forte onda multicolorida que arrasta para si as atenções de pedestres, ciclistas e motoristas, que veem uma das faixas da Avenida Paulista ser bloqueada com o escolte da Polícia Militar.

A designer de moda e professora universitária Maria do Carmo Paulino, de 44 anos, é uma das que grita mais alto dentre a multidão. Ao longo de anos lecionando em universidades privadas da capital teve poucos colegas negros e acredita ser essencial desconstruir as imposições da indústria, pois está convicta de que a moda tem poder político. Usar seus cabelos naturais é, na realidade, um resgate à sua essência.

Além disso, ela sofre de uma doença no couro cabeludo chamada "foliculite abscedante", agravada por mais de 20 anos usando produtos químicos para alisar os cabelos - muitos deles extremamente prejudiciais à saúde, como os à base de amônia. Hoje, já em tratamento há seis anos no Hospital das Clínicas de São Paulo, Maria do Carmo tem cabelos curtos e, devido aos remédios que toma, não pode engravidar. Por isso defende avidamente que, para além da identidade cultural, usar o cabelo crespo natural é também uma forma de se manter saudável.

Dona Amélia, uma jovem senhora de 64 anos, também caminha e grita entusiasmada. Ela está ao lado de outras duas gerações de sua família, a filha Cláudia, 36, e a neta adolescente Naomy, de 14. A senhora de volumosos cabelos afro presos por um lenço colorido reclama de que o evento não está completo e culpa a divulgação, embora diga ter recebido o convite por e-mail, já que é uma senhora conectada. "Se isso aqui fosse um protesto contra a Dilma, estaria lotado", satiriza. E completa esperançosa: "Não sei se eu ainda vou estar por aqui ano que vem, mas se Deus quiser e eu estiver, tenho certeza de que vai ter mais gente".

A chegada à Casa Amarela, por volta das 16h30, era esperada ansiosamente por aqueles que lá estavam. Das varandas e janelas, eles fotografavam e filmavam a explosão de gritos, palmas e pulos que, aos poucos, acomodava-se no local. A satisfação nos olhares e a alegria nos sorrisos podiam ser vistas de longe.

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A casa está pronta para receber a todos de braços abertos. A mansão antiga de três andares, tem na parte posterior um mini teatro de arena, onde serão recebidas as empoderadas para o debate. Lá dentro, DJs comandam as luzes e os sons que fazem todos, mulheres e homens, homo e heterossexuais, requebrar até o chão. No quintal de trás, um foodtruck atende aos esfomeados, enquanto um bar interno recebe pedidos de Catuaba, cerveja e água, vendidas numa caixa de isopor.

Pouco antes de buscar por brincos em formato de pente garfo - que é sucesso absoluto entre as mulheres da marcha - na banca da Boutique Krioula que os vendia no local, a jovem negra estadunidense de cabeça raspada e estudante de filosofia Eliza Quander parece admirada com tanta informação de uma só vez. Depois de meses no Brasil trabalhando em uma ONG em Maringá, no Paraná, ela passa seus últimos dias em São Paulo e, ao notar que havia uma movimentação diferenciada no MASP, deparou-se com esse movimento e decidiu acompanhar a marcha.

Enquanto fala, ela leva as mãos ao rosto o tempo todo mostrando profunda admiração pelo que está acontecendo. "É impressionante. Uma marcha pelo direito de deixar crescer o cabelo do jeito que ele sai da sua cabeça. Isso é revolucionário", diz ela acompanhada do amigo e estudante de Finanças, Travis Ristav, que como homem branco também se diz impressionado e afirma ter aprendido muito com todas as histórias que ouviu, mesmo tendo que abusar da paciência de Eliza como sua tradutora.

As atividades culturais tomam conta do espaço: oficina de como fazer tranças e turbantes, discotecagem de hip hop, aulas de Breaking - uma grande mistura minuciosamente pensada pelos organizadores para celebrar a negritude em todas as possibilidades.

Por volta das 18h, quando começa a escurecer e a lua crescente declara que aquela seria uma noite de céu aberto, a jornalista e produtora cultural do coletivo Hot Pente, Neomísia Silvestre, inicia a mediação entre as convidadas para o grupo de discussão proposto. Se a ideia era trazer mulheres empoderadas, pode-se dizer que elas atingiram plenamente seus objetivos.

Nanda Cury, figurinha carimbada, a escritora Celinha Reis, a cordelista Jarid Arraes, a blogueira e Cool Hunter Magá Moura, a ativista Jéssica Cerqueira, a historiadora Raquel Garcia e a curadora Diane Lima debatem por cerca de duas horas suas experiências pessoais e profissionais, trazendo à tona reflexões profundas acerca do universo negro para uma plateia atenta e que aplaude efusivamente ao final de cada um dos discursos.

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Magá conta sua trajetória profissional e narra a luta diária de sua mãe, costureira, para educar a filha que, atualmente, é um ícone fashion e conta com cerca de 50 mil seguidores no Instagram. Raquel discorre sobre a fase final do doutorado na PUC-SP sobre o uso do cabelo crespo natural como resistência política e, mais ainda, como um ato revolucionário contra o sistema. Jéssica descreve sua experiência pessoal do Big Chop, como é chamada a primeira vez que se cortam os cabelos alisados para que depois cresçam naturalmente. Diane narra a bela experiência do projeto "Deixa o cabelo da menina no mundo", que trata de empoderamento feminino e infantil. Jarid, por sua vez, dispara contra práticas de embranquecimento que são uma forma de taxar a negritude como desvio, algo fora da "normalidade", e finaliza recitando um de seus cordéis pró-feminismo negro.

Atos como o desse domingo ensolarado revelam-se urgentes e necessários enquanto ainda assistirmos a certos fatos lamentáveis como o episódio ocorrido na UNESP, em que ofensas raciais foram covardemente pichadas no banheiro da universidade no campus de Bauru - onde muito orgulhosamente me graduei. É muita ingenuidade pensar que passados apenas 127 anos, permeados por Grandes Guerras, genocídios históricos e ditaduras que sufocaram a democracia, seriam capazes de limar a dominação sofrida por esse povo ao longo de séculos.

Somos a segunda maior população negra em números absolutos depois de África. Nossa história foi construída sobre o estalar do chicote nas costas dos ancestrais dessa gente forte e trabalhadora, brutalmente perseguida, estuprada, assassinada. Por ignorância e falta de discussão, passamos a vida toda minimizando sua dor ao tratá-la como um passado obscuro, sobre o qual nos incomoda debater.

Essas histórias escancaram nossas feridas ainda abertas. Trata-se de reconhecer que, sim, vivemos numa sociedade desigual e da mesma forma como pessoas nascidas em famílias ricas tem privilégios, quem é branco também tem. Por que é tão difícil reconhecer isso? É também necessário que nós, brancos, saibamos recuar.

O protagonismo dessa luta não é meu. Tudo o que sou capaz de fazer é dar vazão a essas histórias, fazer ecoar essas vozes, ter empatia por sua dor e me colocar de lado para que ocupem os espaços físicos e simbólicos que lhes são de direito, os quais a sociedade diariamente lhes usurpa. Não é preciso ter dó, vitimizá-los. Temos que juntos legitimar sua luta.

Volto para casa reflexivo, com os olhos cheios de brilho. É, racistas, gostem ou não a transformação já começou. E ela também é preta.

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