Transexualidade

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Carta de uma transexual a Michel Temer

Não, eu não acredito que o senhor irá nos enxergar, mas acho que não custa tentar. A vida é feita de tentativas para se alcançar as vitórias desejadas, e o cenário político atual é uma prova disso. Tento chamar sua atenção não só por mim, mas sobretudo pelas minhas irmãs e irmãos que são mortos diariamente, fruto do preconceito da sociedade e do descaso do governo. Irmãos e irmãs que não possuem essa oportunidade de escrever, de se expressar, de reivindicar.
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Quantas de nós ainda vão precisar morrer?

Na ausência de políticas públicas que ajudem a monitorar o grau de abandono a que a população LGBT está sujeita, iniciativas independentes se mostram cada vez mais necessárias e urgentes, como o mapeamento próprio da LGBTfobia no Brasil, desenvolvido pelo HuffPost Brasil e pelo Curso Abril de Jornalismo. Esse monitoramento e mapeamento, dos tipos de violência a que estamos sujeitos, e os locais em que esses atos são mais recorrentes, é importante para a partir daí se buscar constituir políticas públicas que visem a diminuição do preconceito, estigma e violência a que estão sujeitos os LGBTs.
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Como é ser mulher e transexual

O que me proponho a fazer, com toda a modéstia de quem ainda está iniciando a transição, com as dores e frustrações de uma mulher ainda lida como homem, é falar das minhas experiências, das trocas com pessoas que conheço e do sistema como um todo. Justamente esse sistema que nos enxerga de uma única maneira, isso quando se dá ao trabalho de olhar para nós. Esse sistema que continua nos enxergando como lixo, enquanto nós somos resistência. Eles nos olham como figuras patológicas, mas nós sabemos que a vida de alguém vai além de determinantes biológicos.