Brasil Donald Trump

TIMOTHY A. CLARY via Getty Images

A 'Era Trump' pode ser uma oportunidade para a América

Sem dúvidas, Trump será um presidente polêmico. Sua visão de uma América mais livre e próspera no plano interno e mais forte e influente no plano externo encontrará muitos inimigos e sucesso incerto. Mas o triunfo de suas ideias também carregam consigo a promessa de um otimismo e confiança no excepcionalismo americano não visto desde Reagan. Pelo bem do Ocidente, rezemos pelo melhor.
MediaPunch

O dia em que o mundo segurou a respiração

Tal vitória, claro, tem consequências para a América Latina. A primeira delas tem a ver com a região como um todo. Um EUA mais protecionista afeta diretamente a região, pois esta é essencialmente exportadora e tem naquele um dos principais destinos de seus produtos. Individualmente, as relações tendem a ser tensas com México e distantes com Cuba. Tensas com o México por conta da possível revogação do tratado de livre comércio, deportação de imigrantes e construção de um muro entre os países. Com Cuba, é expectável um retrocesso no processo de reaproximação iniciado por Obama. Isto danifica as relações com todos os outros países da região, dada a centralidade do tema na mesma.
Spencer Platt via Getty Images

O que esperar da política econômica de Donald Trump?

Os mercados financeiros parecem acreditar que o presidente eleito Trump pode trazer maior crescimento e inflação, conforme manifestado na rotação dos portfolios dos mercados de títulos e acionários. Ao mesmo tempo, as ondas de choque já sentidas pelos ativos no exterior pode ser um prenúncio de uma jornada instável à frente. Não é de admirar que Trump tenha suavizado suas declarações--e suas promessas de campanha--após a eleição, o que foi recebido com suspiros de alívio.
Beck Diefenbach / Reuters

Os descontentes e a inesperada vitória de Donald Trump

Tais reflexões sugerem que os resultados observados revelam a dificuldade das lideranças políticas e das organizações partidárias atuais de dialogarem e apontarem novos caminhos e novas demandas aos que clamam mudança e que possuem relações demográficas e socioeconômicas mais complexas e de geometria muito variável. Seja para os próprios os conservadores, seja para outros grupos, muitos difusos, inclusive. Sendo estes não apenas os novos desafios metodológicos para as pesquisas tentarem apreender a nova lógica decisória do voto, além de suas clivagens clássicas, mas ao sistema político dialogar, dar voz e ecoar novos desejos.
atorresl via Getty Images

O controle de armas saiu vitorioso com o resultado da eleição norte-americana

Entretanto, nem todas as notícias que vieram das urnas na terça-feira são ruins para a agenda progressista. Principalmente em um tema caro para os membros do partido do presidente Barack Obama: leis mais rígidas em relação ao porte de arma. Em quatro estados - Califórnia, Nevada, Washington e Maine - legislações mais rígidas foram propostas nas cédulas de votação para que os eleitores decidissem sobre a compra e porte de arma e munições.
shutterstock

Donald Trump: De onde ele veio e para onde pode ir?

No cenário internacional, Trump não vai inventar um novo isolacionismo puro. Possivelmente, adotará medidas protecionistas, mas não colocará em risco os interesses do capital internacional. Provavelmente, não terá dificuldades em mobilizar alianças para garantir interesses indiretos do capital estadunidense. Por isso, dificilmente abandonará a ONU e a OTAN, mas poderá buscar uma relação menos custosa para os Estados Unidos. E, não vai deixar de usar tropas para assegurar a posição dos Estados Unidos como garantidor do capital internacional. Especialmente para América Latina, Trump não será necessariamente mais benevolente. Ao contrário, poderá reagir ao crescente investimento chinês no sub-continente. No Brasil, Trump já inspira seguidores e alimenta opositores. Resta saber o que nascerá do medo.