OPINIÃO

O segredo definitivo do emagrecimento que as revistas femininas nunca vão te contar

23/02/2015 17:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
Felix_Nine/Flickr
A blend of images the origin of my putting them together in just this manner is, as yet, a mystery to me.

Não, eu não vou entregar o segredo assim fácil. Antes vocês terão que ouvir uma história.

Eu era uma pré-adolescente feia. Os meninos tiravam sarro do meu leve bigodinho e eu era tão magra que ganhei o adorável apelido de "perninhas de sabiá". No auge do bullying, cheguei a ir à escola, no ápice do verão, com quatro calças para dar volume às pernas.

Minha mãe e eu, então, descobrimos que eu tinha um distúrbio hormonal que retardava o meu desenvolvimento físico. Com o tratamento, meu quadril alargou, as pernas foram ficando roliças e eu ganhei essas formas meio grandes que tenho hoje.

Foi então que comecei a ir à academia e o excesso de exposição ao espelho e às revistas femininas me fizeram perceber que minha barriga era meio saltada pra fora e que meu quadril era largo demais para minha altura. Por meses, desenvolvi um distúrbio alimentar que fez muito mal à minha saúde.

Mulher crescida, eu fui me conformando. Nunca seria linda. Além disso, eu não me importava muito com a beleza diante de outras tantas coisas importantes que eu queria ser, como inteligente, por exemplo. Em segredo, ainda me incomodava com estrias e inchaço na barriga, sofria com os ponteiros da balança que estavam sempre instáveis. Mas ninguém era perfeita, afinal. Foi aí que eu descobri o segredo que alardeei no título - e fiquei impecável.

A mágica começou há um mês, quando deparei com um lugar que prometia, no slogan, "queimar calorias de maneira sensual e divertida". As aulas no calendário da academia tinham uns nomes engraçados, como aula de dança estilo Bollywood (sim, as danças dos filmes indianos) poledance e workshop de strippers. Não havia aparelhos, esteiras ou bicicletas.

Fizeram o que prometeram: em um mês, eu já amava a menina no espelho, estava magra.

Pra começar, eu não me arrastava pra academia, mas ficava ansiosa pra proxima aula. Eu riiiiiiia em cada uma. Ria de mim, dos outros. Me levava menos a sério, dormia melhor, ficava mais feliz.

Depois, eu comecei a perceber que eu era sexy. Nas aulas de poledance e nos workshops de stripper, eu fui percebendo a sensualidade que podia ser produzida pelas formas que eu tinha. Não pelo corpo da capa da Nova ou da Women's Health, mas pelo meu próprio corpo.

Claro que eu também tinha aquele preconceito bobo de que aulas deste tipo são para cinquentonas casadas e entediadas, mas eu estava muito enganada. Os homens dividem um com o outro seus conhecimentos sobre a própria sexualidade. Eles falam de masturbação desde bem cedo, contam experiências em detalhes. Nós, mulheres, também não devíamos nos envergonhar de partilhar conhecimentos sobre nossa sensualidade. Não é vergonhoso relacionar-se com a própria sexualidade, é corajoso. É importante e é bonito. Não é um serviço ao parceiro, é um serviço a si mesma, um ato de amor próprio.

Outra coisa que ajudou foi a ioga, que comecei a praticar corriqueiramente. Nas aulas, eu passei a me relacionar mais com o meu corpo, sentir que ele era meu, de fato. Eu dava a ele abraços e carinhos e o tratava como minha posse mais valiosa.

Finalmente, eu cheguei à conclusão de que eu passei por vários tipos de corpo, mas nunca me livrei da insatisfação. Ou seja: meu problema nunca foi com a balança, mas com o espelho. E não com quem estava de fato no espelho, mas quem eu via ali. Era um problema de autoimagem. Aposto que muitas de vocês têm um similar...

A verdade é que não importa quão lindas sejamos, sempre haverá um novo horizonte, ou um novo produto, dizendo que devemos ser melhores. E nós sempre estaremos correndo atrás do prejuízo, começando a competição com derrota certa no final. O capitalismo incentiva a insegurança feminina pra vender mais.

Parei de ler sobre dietas e invejar barrigas chapadas de photoshop. Meu quadrilzão fica lindo ondulando diante da barra do poledance e ninguém, em sã consciência, olharia a minha barriga nesse momento. Sabe do que? Emagreci todos os quilos que desejava sem querer. Quantos foram? Não sei, nunca mais olhei na balança. Os quilos extras estavam mesmo é nos meus olhos.

O segredo está aí. As revistas femininas não te contarão porque elas ganham dinheiro com sua insegurança. Mas eu, que sou sua amiga, te conto. Boa sorte no projeto verão! ;)

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