OPINIÃO

As marcas não estão entendendo o que é fazer roupas sem gênero

16/03/2016 11:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Quando a estilista Coco Chanel criou roupas para mulheres baseadas no que os homens vestiam, na década de 20, mal imaginava que hoje o conceito de peças "sem gênero" seria tão discutido e apoiado.

Se você é mulher e gosta de usar camisetas, provavelmente já visitou a área masculina das lojas para ver se encontrava algo que lhe agradasse, não é? O mesmo para homens que compram calças skinny feitas - originalmente - para o público feminino.

Os consumidores da nova geração estão em busca de roupas que lhe agradam, independente se foram criadas para um gênero específico. Se gostou, qual o problema em levar pra casa e usar no dia a dia?

A moda sem gênero ficou mais forte em 2015 nas passarelas das semanas de moda. O desfile da Gucci assinado por Alessandro Michele com peças feitas tanto para homens e mulheres trouxe novos ares para o mercado. Com a iniciativa vieram Rick Owens, Alexandre Herchcovitch, Dudu Bertholini (já adepto ao ungendered) e outros estilistas que apostaram em um estilo sem regras.

Só que, aparentemente, algumas marcas estão abraçando a causa de uma maneira errada. A Zaralançou uma coleção sem gênero este mês em uma tentativa de mostrar que está se adequando `as mudanças das passarelas. Digo 'tentativa' porque a coleção mais parece algo como Outono-Inverno Pijama Season que roupas sem distinção de sexo. A coleção é composta por moletons na cor cinza, camisas largas, calças de pijama e casacos em verde musgo.

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Cadê o diferencial? Cadê os moços com vestidos ou usando cores "de mulher" tipo rosa, com uma estampa floral ou uma com desenho infantil? Isso nós encontramos na seção feminina da loja, mas e na masculina?

Outra marca que entrou na tendência foi a C&A, líder do varejo brasileiro, que fez uma campanha bem interessante com direito a um vídeo gritando liberdade de expressão, mudanças e ousadia. Todo mundo pelado correndo em direção `as roupas que querem usar. Tem até um homem colocando o que talvez seja um vestido, já que só foram dois segundos de uma cena que seria algo revolucionário no mercado da moda brasileira.

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Todo o auê pra luta, mas as fotos de divulgação são mais do mesmo: mulheres vestido "roupas de mulheres" e homens com "roupas de homens". É como se estivessem tentando colocar a ideia na prática, mas com medo de perderem vendas pela própria ousadia incentivada na campanha.

Criar roupas sem gênero não significa colocar uma cartela cinza e branco pra todas as peças. Assim como as mulheres, existem homens que também querem usar muitas cores, flores, bichinhos e frases meigas. Mesmo que as roupas sejam para todos - homens e mulheres - é preciso pensar que as modelagens podem ser diferentes. As mulheres querem usar o que tem no guarda-roupa masculino, porém tem que cair bem no corpo (e o mesmo pros homens).

Parece complicado, mas fazer moda sem colocar rótulos é fácil: é só não criá-los.

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