OPINIÃO

Vice-chefe da ONU faz reunião sobre tráfico humano no Mediterrâneo

04/01/2015 11:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

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Jan Eliasson nas Nações Unidas. Foto: Rick Barjonas, ONU

O Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas, Acnur, informou que há relatos de que mais de 3 mil pessoas perderam a vida, no ano passado, ao tentar a travessia pelo Mar Mediterrâneo em embarcações irregulares. Um aumento de mais de 400% se comparado aos números de 2013, quando 700 migrantes morreram na mesma área.

"É preciso abordar com urgência as causas desta questão", disse o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, numa reunião na sexta 2 com o chefe do Acnur, António Guterres, e especialistas no tema, incluindo o diretor-geral da Organização Internacional sobre Migrações, William Swing.

Medidas coordenadas

Em comunicado divulgado antes da reunião, um dos representantes do Acnur na Europa, Vincent Cochetel, chamou à responsabilidade os países europeus do Mediterrâneo. Segundo ele, é preciso tomar "medidas coordenadas" para combater o problema.

Em apenas alguns dias, a Marinha e a Guarda-Costeira da Itália tiveram que realizar vários resgates com centenas de pessoas que estavam sendo traficadas em navios cargueiros. Todas as embarcações haviam sido abandonadas perto do litoral.

"Esta é uma nova tendência: utilizar navios de carga para transportar um número máximo de pessoas", notou Cochetel.

Origem

Um dos exemplos mais recentes é o caso do navio Ezadeen, deixado à deriva com 450 pessoas a bordo e resgatado pelas autoridades italianas.

No penúltimo dia do ano, foi a vez de um cargueiro, com bandeira da Moldávia, ter sido abandonado perto da ilha de Corfu, na Grécia. Mais uma vez, o salvamento de 796 pessoas seria feito pela Guarda Costeira da Itália.

O incidente ocorreu 10 dias após uma outra embarcação ter sido encontrada sem a tripulação perto da ilha italiana de Sicília com 800 passageiros traficados, a maioria cidadãos da Síria.

A origem dos migrantes é, na maior parte dos casos, de pessoas que tentam escapar de guerras e conflitos em seus próprios países.

Direitos humanos

O vice-chefe da ONU lembrou que a Marinha da Itália tem se esforçado para fazer o resgate das vítimas de tráfico, mas segundo ele a responsabilidade é de todos os países-membros das Nações Unidas, além de nações de origem, trânsito e destino, que devem garantir a proteção e os direitos humanos dos migrantes.

Para o Acnur, uma das medidas que têm de ser tomadas é a de oferecer alternativas legais para as travessias, consideradas arriscadas. O representante da agência na Europa disse que a nova tendência de utilizar cargueiros para transportar o máximo de migrantes é uma "situação perigosa" que tem se repetido e que "não pode mais ser ignorada pelos países europeus do Mediterrâneo."

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