OPINIÃO

'Seria um erro perigoso pensar no Holocausto como simplesmente o resultado da loucura'

27/01/2017 10:32 -02 | Atualizado 27/01/2017 10:33 -02

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António Guterres, secretário-geral da ONU. Foto ONU: Mark Garten

Neste 27 de janeiro, a ONU marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Num dia como esse, em 1945, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau foi liberado do controle de criminosos nazistas, que levavam a cabo um plano sistemático para exterminar o povo judaico.

Durante toda a semana, as Nações Unidas realizaram, em várias partes do mundo, eventos de reflexão a respeito da importância da educação sobre o genocídio de 6 milhões de judeus e outras minorias.

Nesta sexta-feira, o próprio secretário-geral da ONU participa de uma cerimônia em memória das vítimas. Em mensagem de vídeo, sua primeira como o novo secretário-geral da ONU, António Guterres referiu-se ao Holocausto como "uma tragédia incomparável na história humana".

Para o líder da ONU, o Holocausto foi ainda uma "tentativa sistemática de eliminar o povo judeu e tantos outros".

António Guterres afirma: "Seria um erro perigoso pensar no Holocausto como simplesmente o resultado da loucura de um grupo de criminosos nazistas. Pelo contrário, o Holocausto foi a culminação de milênios de ódio, de discriminação aos judeus, de usá-los como bodes-expiatórios, o que agora chamamos de antissemitismo."

A ONU News conversou com o sobrevivente do Holocausto, o húngaro-romeno Rafael Teitelbaum, que sobreviveu aos campos de Auschwitz e Buchenwald aonde foi levado com apenas 16 anos.

Teitelbaum diz que sua vontade incontrolável de viver o ajudou a driblar a morte. "Foi esta coragem que me deu força para me esconder entre a pilha de corpos que estavam no crematório para dali escapar." Teitelbaum tem hoje 90 anos e vive no Brasil. Segundo ele, "o amor à vida e ao próximo" o ajudaram a prosseguir sem rancor. "Hoje, mesmo com 90 anos, eu me lembro de tudo. Mas eu também posso dizer que decidi recomeçar. Casei-me com Leah, tive meus filhos e no próximo mês vou a São Paulo para conhecer minha sexta bisneta, que nasce em fevereiro. Eu celebro a vida", explica.

Em sua mensagem de vídeo, o chefe da ONU António Guterres afirma que o antissemitismo continua a crescer. Ele cita ainda o que chama de um "aumento profundamente perturbador do extremismo, da xenofobia, do racismo e do ódio anti-islâmico." Para Guterres, a irracionalidade e a intolerância estão de volta.

Ao lembrar da Carta das Nações Unidas e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Guterres diz que o mundo jamais pode se silenciar ou ficar indiferente quando seres humanso sofrem tanto. Para ele, um futuro melhor depende também da educação.

O secretário-geral afirma que é hora de todos juntos construírem um futuro de dignidade e igualdade para todos - e assim honrar as vítimas do Holocausto e não permitir que elas sejam esquecidas. Jamais.

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