OPINIÃO

Empresas brasileiras analisam oportunidades da nova economia espacial

Em um futuro próximo, haverá um crescente interesse por parte de indivíduos de realizarem missões e viagens espaciais intensificando o turismo no setor.

15/11/2017 15:50 -02 | Atualizado 15/11/2017 15:51 -02
Andre Rypl. Foto ONU News
Diplomata brasileiro, entrevistado pela ONU News em Fórum de Alto Nível em Dubai, afirma que internet revolucionou exploração espacial.

O Brasil e as empresas brasileiras estão estudando uma nova economia nascente: a espacial. A informação foi dada à ONU News por um especialista no tema, o diplomata Andre Rypl, que atualmente serve ao País em Viena, na Áustria, sede do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Espaciais.

Rypl participou do Fórum de Alto Nível: Espaço como Impulsor para o Desenvolvimento Socioeconômico Sustentável, encerrado no último dia 9 de novembro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Além de especialista no tema, ele é um atento observador e acredita que a internet revolucionou os parâmetros da exploração espacial, transformando a realidade existente há 50 anos, quando foi criado o Tratado do Espaço.

Durante a conversa com a repórter Dianne Penn, da ONU News, Rypl afirmou:

"As atividades espaciais eram realizadas exclusivamente pelos países. Os países tinham suas agências espaciais (...) E aí nós temos esta nova economia, baseada na internet, que criou vários novos empreendedores com outra mentalidade que se interessaram pela área espacial. Então, você tem o (Elon) Musk, missões a Marte, projetos de foguetes, foguetes reutilizáveis, exploração comercial de asteroides. Quer dizer, se tornou um cenário complexo, onde você tem atores privados, você tem companhias, você tem empresas, então se tornou um ambiente complexo, muito mais complexo do que aquilo que foi previsto 50 anos atrás no Tratado do Espaço."

A primeira Conferência das Nações Unidas sobre Exploração e Uso Pacíficos do Espaço foi realizada em 1968. No próximo ano, a organização deverá realizar um grande evento para marcar o aniversário da Conferência, Unispace+50.

Do final da década de 60 até hoje, a tecnologia espacial foi saindo aos poucos da exclusividade das esferas estatais para integrar o dia a dia dos consumidores comuns. Ao acessar um mapa na internet, por exemplo, para se deslocar de um ponto ao outro, usa-se tecnologia espacial. Mas como essa demanda será explorada por empresas e indivíduos nas potencialidades dessa nova economia?

De acordo com o diplomata Andre Rypl, o Brasil tem sido convidado frequente de fóruns e reuniões semelhantes sobre o surgimento de uma nova realidade espacial, especialmente por causa de uma tradição "pacífica".

Rypl afirma que o governo e o setor privado não estão alheios aos movimentos e oportunidades de uma nova indústria. "As pessoas no Brasil estão ainda tentando entender essas mudanças, esse impacto, para verificar como é que o Brasil pode contribuir, se inserir nesta cadeia de valor. Isto pensando no lado econômico. Ou na parte de regulamentação e na necessidade de governança disso. Como é que a experiência brasileira pode contribuir, já que o Brasil sempre teve atividades pacíficas."

O diplomata acredita que, num futuro próximo, haverá um crescente interesse por parte de indivíduos de realizarem missões e viagens espaciais intensificando o turismo no setor.

O Fórum de Alto Nível ocorreu com o apoio do governo dos Emirados Árabes Unidos, de 6 a 9 de novembro. Participaram pesquisadores de estações espaciais, astronautas, acadêmicos, representantes de governos e do setor privado.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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