OPINIÃO

Conselho de Segurança faz reunião de emergência sobre Coreia do Norte

Desde janeiro, o Conselho de Segurança já se reuniu 10 vezes para tratar da Coreia do Norte.

04/09/2017 23:02 -03 | Atualizado 05/09/2017 11:33 -03
Foto ONU: Evan Schneider
Para o secretário-geral da ONU, o teste desestabiliza toda a região além de minar esforços internacionais de desarmamento e não-proliferação nuclear.

Após um novo teste nuclear, realizado pela Coreia do Norte no domingo, o subsecretário-geral para Assuntos Políticos da ONU pediu ao Conselho de Segurança que permaneça unido para tomar as devidas providências.

Jeffrey Feltman fez a declaração durante a reunião de emergência sobre o tema, ocorrida na manhã de segunda-feira em Nova Iorque. Segundo ele, o mais recente ensaio norte-coreano é um desrespeito às obrigações internacionais da nação asiática.

Os representantes dos 15 países-membros do órgão compareceram à sala do Conselho para a sessão de emergência, convocada durante o feriado do Dia do Trabalho, nos Estados Unidos.

O grupo, que se prepara para uma viagem oficial à Africa, ouviu atentamente a Feltman, o primeiro a discursar. Segundo o chefe de Assuntos Políticos o teste de domingo consistitu de uma bomba de hidrogênio para um míssil balístico internacional.

Feltman informou que análises técnicas davam conta de que o armamento norte-coreano, disparado no domingo, poderia ser, em média, até cinco vezes mais poderoso que aquele utilizado durante a Segunda Guerra Mundial contra a cidade de Hiroshima, no Japão. Uma escala que variaria de 50 a 120 quilotoneladas.

Poucas após o anúncio pela agência estatal da Coreia do Norte, feito no domingo, o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres, emitiu uma nota condenando a ação. Para Guterres, o teste desestabiliza toda a região além de minar esforços internacionais de desarmamento e não-proliferação nuclear.

Nesta segunda, o subsecretário-geral de Política lembrou das palavras de Guterres, e afirmou que uma resposta abrangente e de diplomacia arrojada é necessária agora para quebrar o que ele chamou de um "ciclo de provocações pela Coreia do Norte".

Após Feltman, foi a vez da embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, assumir a palavra. Segundo ela, chegou a hora de exaurir todos os meios diplomáticos antes que seja tarde demais. Haley frisou que na resolução anterior sobre a Coreia do Norte, o Conselho de Segurança permaneceu unido e que o mesmo espírito deveria continuar desta vez.

Já o representante do Reino Unido, Matthew Rycroft, destacou que conversações diretas com a Coreia do Norte só serão possíveis caso o país suspenda a agressão.

Para ele, o retorno ao diálogo é o objetivo maior, mas sem a intenção norte-coreana de fazê-lo, o diálogo tende a se tornar uma receita ao fracasso.

Desde janeiro, o Conselho de Segurança já se reuniu 10 vezes para tratar da Coreia do Norte.

Desta vez, no entanto, o líder norte-coreano Kim Jong-un teria ido um pouco mais longe, segundo Feltman.

De acordo com o subsecretário-geral, o teste nuclear deste domingo foi um passo decisivo na direção de se atingir o objetivo final de um estado de força nuclear. Ele afirmou que está alarmado com o que chamou de uma "provocação perigosa" por parte do governo norte-coreano.

O chefe para Assuntos Políticos concluiu que apesar da tensão, a comunidade internacional deve continuar providenciando a ajuda aos norte-coreanos que dependem de auxílio humanitário para sobreviver.

Agências de notícias informaram que após a reunião, os Estados Unidos e outros países do órgão deverão começar a circular para análise do Conselho de Segurança um novo esboço de resolução sobre a Coreia do Norte, que pode ser votado já na próxima semana.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

LEIA MAIS:

- Líderes do Brics condenam testes nucleares da Coreia do Norte

- 'É apavorante': Ministro de Relações Exteriores diz que é preciso deter escalada da Coreia do Norte

70 anos da bomba de Nagasaki