OPINIÃO

Vladimir Herzog 1975-2015: Ato interreligioso lembra os 40 anos da morte do jornalista

22/10/2015 19:47 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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Na última quinta-feira (15), o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu carregando nas mãos inúmeros casos de mortos, desaparecidos, torturas, prisões ilegais, entre outras atrocidades. Ustra, ainda como major, chefiou o DOI, principal centro urbano dedicado à tortura, de 1970 a 1974. Muito longe da cadeia, ele escapou dos tribunais, completou seus 83 anos e marcou com o carimbo da impunidade as tristes histórias que carregamos de um passado recente.

Outra página de um mesmo livro. Em 31 de outubro de 1975, oito mil pessoas se reuniram na praça da Sé, no centro de São Paulo, para resistir. Seis dias após a morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do DOI-CODI, bradaram contra a barbárie que tomava conta do país desde 1964 e contra as torturas disseminadas nos porões.

No próximo dia 25 de outubro, completam-se 40 anos da morte de Vlado. A mesma praça serve agora de palco para diversas manifestações com o intuito de relembrar a importância da data e celebrar a memória do jornalista.

Além do ato interreligioso com o Cardeal Dom Claudio Hummes, o Reverendo Marcelo Leandro Garcia de Castro, da Igreja Presbiteriana Unida, e Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista, a ser realizado na Catedral da Sé, haverá uma Missa Criolla, sob a regência do maestro Martinho Lutero Galati, e um "flash mob" com a presença de cerca de 800 cantores e 30 corais.

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Em uma parceria com a Rede Luther King, o espetáculo musical dirigido pelo maestro será a primeira audição da obra "Misa Tango", uma adaptação em língua espanhola de uma missa ao ritmo do tango argentino, do compositor Luis Bacalov. Seguindo a tradição na apresentação de obras inéditas no país, o Coro Luther King aborda dessa vez as temáticas da paz, da vida, dos direitos humanos, da convivência pacífica entre os povos, do sincretismo religioso e da pluralidade cultural dos povos da América Latina.

"Vladimir Herzog - 40 anos: Lembrar é Preciso, Respeitar é Preciso, Cantar é Preciso" faz parte do calendário especial de atividades (#vlado40anos) que se estendem até o mês de novembro com o intuito de relembrar a data que marca o início da derrocada do regime totalitário e da construção da democracia brasileira. Para saber mais, clique aqui.

Em 1963, o uruguaio Mario Benedetti disse em poema que "la muerte no borra nada. Quedan siempre las cicatrices". Que a democracia alcançada pela luta de alguns nos coloque no papel de sempre lembrar.

Serviço

Vladimir Herzog - 40 anos: Lembrar é Preciso, Respeitar é Preciso, Cantar é Preciso

Data: 25 de outubro, às 14h30

Local: Praça da Sé

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