OPINIÃO

Girl power: pintoras brasileiras são tema de exposição

12/06/2015 18:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

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Um canto do meu ateliê, de Abigail de Andrade (1884)

Se as redes sociais são importantes ferramentas diárias no empoderamento feminino, e uma constante testemunha de como ainda há um extenso caminho pela frente, é bem fácil de imaginar a penosa luta de mulheres pintoras do início do século XX, que fatalmente tinham de se contentar com a ideia de que seu lugar era em casa - e seus assuntos deveriam ser tudo que se relacionasse a ela. "Mulheres artistas: as pioneiras (1880-1930)", que estreou sábado, 13, na Pinacoteca, em São Paulo, reúne obras do século XIX e XX que buscam mostrar a inserção da mulher no sistema acadêmico brasileiro e os difíceis processos de formação a que tiveram acesso e que permitiram sua afirmação como artistas profissionais.

De 1880 a 1930, diversas pintoras e escultoras realizaram obras de importância histórica e estética. A exposição, com curadoria de Ana Paula Simioni e Elaine Dias e acompanhamento de Fernanda Pitta, visa questionar, e, assim, negar, o rótulo de "amadoras" que muitas receberam em seu tempo. Em 1884, a pintora e desenhista carioca Abigail de Andrade foi premiada na 26ª Exposição Geral de Belas-Artes. Desde então, até a década de 1930, com a chamada "rotinização" do modernismo no Brasil, as mulheres passam a ocupar definitivamente um lugar de destaque na arte brasileira.

A mostra é também uma ótima oportunidade para conhecer não só obras inéditas, mas as trajetórias dessas pintoras e escultoras ainda desconhecidas do grande público. Questionar, problematizar, critérios de inclusão e exclusão dessas mulheres no mundo então masculino das artes, sob a ótica de questões de gênero e poder, se faz necessário. De amadoras, elas não têm nada.

Serviço:

Até 6 de setembro

Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo (Praça da Luz, 2, Luz, São Paulo).

Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia) - e gratuitos aos sábados. O horário de visitação vai das 10h às 18h.