OPINIÃO

Exposição homenageia o escritor brasileiro Graciliano Ramos

17/09/2014 09:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
divulgação

Na última terça-feira (16), o velho Graça chegou ao Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Com curadoria da produtora cultural Selma Caetano, "Conversas de Graciliano Ramos" reúne onze vídeos que descrevem períodos marcantes da vida do escritor. Tendo recentemente lido a - ótima - biografia feita pelo jornalista Dênis de Moraes, encontro-me ainda ligada aos pensamentos do velho. Questiono-me frequentemente sobre o que ele acharia de determinada palavra e se, por exemplo, riscaria este primeiro parágrafo por inteiro. Meticuloso, perspicaz e ranzinza, sei que nada sobraria.

Graciliano não aceitaria facilmente ser protagonista de uma exposição, embora, talvez, comentasse com certo orgulho o fato com Heloísa, sua fiel companheira. De escritor passou a meu avô. Ou tornou-se aquele vizinho, arredio e proseador, dono de uma biblioteca imensa e sempre aberta a olhos curiosos. De modo que encarei a notícia da exposição como um belo de um presente aos fãs deste escritor brasileiro que morreu pobre e sem o devido reconhecimento do público.

Entre os documentos que compõem a mostra está o manuscrito da famosa carta endereçada a Getúlio Vargas, escrita em 1937, mas jamais enviada. A amizade de Graciliano com o pintor Portinari é representada em vídeo, além da presença de quatro filmes cronológicos que descrevem períodos marcantes da vida do escritor.

Uma instalação cenográfica também recria seu ambiente criativo. De pensões no Rio de Janeiro à última casa em que viveu, Graciliano era ciumento e duro com quem mexia em seus pertences. Na exposição, é possível conferir uma poltrona de descanso (recorrente em suas fotos), uma máquina de escrever, tinta e canetas-tinteiro originais.

Ator interpreta Graça

Na próxima sexta-feira (19), o "Globonews Literatura" retrata um encontro impossível entre o jornalista Edney Silvestre e Graciliano Ramos. O ator Marat Descartes concede uma entrevista interpretando o escritor, trazendo ao público conversas com a imprensa do período de 1910 a 1952. Utilizando falas literais do cronista, o material, um calhamaço de 800 páginas, foi editado até se tornar possíveis respostas que Graça diria. Marat, que reconhece semelhanças físicas com o alagoano, comentou sobre a ausência de gravações para que se pudesse saber qual era a voz do escritor.

***

Serviço

"Conversas de Graciliano Ramos"

De 16/09 a 09/11

Terças a sábados, das 12h às 22h; domingos das 11h às 21h

Endereço: Avenida Europa, 158 - Jardim Europa, São Paulo

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