OPINIÃO

19 coisas que eu queria que tivessem me dito antes dos 20 anos, para que eu não tivesse desperdiçado uma década

13/06/2014 10:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Um poema-lista para garotas trabalhadoras que procuram crescer e se encontrar.

1. Tudo bem abandonar qualquer pessoa, qualquer coisa e qualquer lugar que façam você se sentir uma merda. É difícil, mas tudo bem. E nem se dê ao trabalho de explicar nada para ninguém, a não ser que você queira. Deixe que fiquem pasmos, sem saber o que aconteceu.

2. Saiba quem você é. Não só por fora, de algum jeito emocional, sentimental, tipo "você é linda por dentro", mas saber quem você é -- racialmente, culturalmente, em relação com sua sexualidade, seu gênero e sua classe social -- é uma fonte de seu poder. É você quem define isso para você mesma. Nunca deixe qualquer outra pessoa lhe dizer quem você é. Isso pode mudar com o tempo, à medida que você amadurece e aprende mais. Tudo bem. Administre qualquer vergonha ou culpa que você possa sentir, assumindo a responsabilidade por seus atos.

3. Assuma a responsabilidade pelo que você faz. Isso significa reconhecer quando você pisa na bola, tanto quanto defender e ser dona do espaço contestado que você ocupa. Você vai pisar na bola, e apenas você mesma pode procurar reparar seus erros. Você vai precisar se defender, e raramente alguém vai se encarregar disso em seu lugar. É igualmente importante reconhecer seus erros e seus direitos.

4. Vão chamá-la de louca. Você é mulher. Não há como passar pelo mundo no momento em que vivemos sem ser chamada de louca por alguém. E normalmente isso vem justamente da pessoa que você gostaria que a enxergasse como alguém que tem totalmente a cabeça no lugar. Você não é louca. O mundo é louco. Se você é afetada por este mundo injusto, desequilibrado, isso só prova que você é um ser senciente, dotado de sentimento de empatia.

5. A empatia se constrói. Você precisa aprender a ouvir de verdade. Ou seja, ouvir sem ficar pensando no que isso tem a ver com você, nem ficar planejando a próxima coisa que você vai falar. Isso significa enxergar todo o mundo, independentemente de quem for, como um ser humano. Você não será um ser humano de verdade sem enxergar todo o mundo como tal, mesmo seus maiores inimigos e os piores criminosos. Todas nossas feridas vêm de algum lugar -- as suas e as de todas as outras pessoas. Aprenda a ouvir os outros. Aprenda a se ouvir. Não pode haver empatia sem primeiro ouvir de verdade, profundamente.

6. Você vai viver momentos insuportáveis de dor. Aprender a curar suas feridas leva tempo. E, às vezes, ficam cicatrizes. Muitas vezes, a cura é incompleta. Pense em suas cicatrizes como sendo de feridas sofridas na batalha, provas de o quanto você agora é mais sábia, mapas dos lugares para onde você não quer mais voltar. Valorize essas cicatrizes, respeite-as. Haverá momentos em que elas serão a única coisa que a lembrará de onde você já esteve e do quanto ainda falta para você crescer.

7. Você terá momentos insuportáveis de solidão. Você precisa aprender a adorar estar consigo mesma, porque em última análise ninguém tem o potencial de amá-la como você pode se amar. É lindo amar e ser amada, mas esses são apenas indícios de como você deve se enxergar. Se você se enxergar como alguém de valor e aprender a converter o sentimento de solidão em um estar sozinha tranquilo, que acalma, será capaz de dar e receber amor realmente transformador.

8. Encontre alguma coisa que a faça sentir que o mundo faz sentido, mesmo que não consiga justificar essa coisa intelectualmente a você mesma ou a qualquer outra pessoa. No meu caso, se eu não me levanto da cama, não transo, não saio para dançar, não leio um bom livro, não escrevo um poema, não ouço um disco que acho o máximo ou não tenho uma conversa realmente profunda e satisfatória pelo menos uma vez por semana, o mundo não faz sentido para mim e eu me sinto solta, sem raízes. Se passo um mês sem essas coisas, viro uma catástrofe total, inconsolável, incompreensível. Essa catástrofe pode facilmente se converter em bola de neve e levar a vários tipos de autodestruição. Encontre o que funciona bem para você e seja leal a essas coisas, para ser leal a você mesma.

9. O mundo que você habita está doente. Essa doença penetra em todos nós, e em muitas pessoas se manifesta como uma incapacidade de amar a si mesma, o que dirá a outras. Algumas das pessoas que sofrem uma forma parasítica dessa doença vão grudar em você, fazendo você de hospedeira. Você pode achar que faz parte de sua natureza ser "doadora" e dar apoio interminavelmente. Essas pessoas vão consumir seu amor por inteiro, vão consumir você junto e deixá-la como uma casca oca. Você pode voltar a crescer a partir dessa casca, mas será sofrido, e é preciso tempo e experiência de traição e coração partido para aprender a confiar suficientemente em você mesma para determinar quem é ou não digno de sua confiança. Não deixe que ninguém a controle. Apenas ande com aqueles que quiserem caminhar com você, lado a lado, como iguais.

10. Não transe com pessoas que não priorizarem o seu prazer. Isso pode parecer muitas coisas diferentes, e você provavelmente ainda está aprendendo o que é seu prazer. Não tolere amantes que não lhe derem espaço para explorar, para expressar, e, sobretudo, se ele quiser apenas te usar como recipiente para ele chegar ao seu próprio prazer. Caia fora. Isso não quer dizer que você deve ignorar o prazer de seu parceiro, mas que deve enxergar o seu prazer como tendo valor igual.

11. Você não é responsável pelas ações daqueles que odeiam tanto a si mesmos que feriram você de propósito.

12. O coletivismo é um conceito belo e é algo pelo qual vale a pena lutar e construir. O coletivismo mudou radicalmente e desafiou estruturas e instituições injustas. Mas, se você sacrificar sua própria sobrevivência pelo bem do todo, vai acabar se arrependendo, questionando o sentido de sua vida e duvidando do valor de outros, em vista do egoísmo aberto deles. Encontre um meio-termo.

13. Não carregue nas costas pessoas fracas que não passaram por um processo de reconstrução de si.

14. Você não é seu emprego. Seu emprego é um salário, só isso, e é provável que você não receba quanto vale, e isso não é sua culpa: você herdou um sistema econômico falido e não será a primeira geração a lutar pelo direito de viver. Mas você precisa lutar pelo direito de viver em solidariedade com as pessoas à sua volta que também estão lutando.

15. Fazer faculdade é uma conquista. Mas não é algo que faça de você uma pessoa melhor que qualquer outra. Não torna você essencialmente mais inteligente. Você nunca vai conseguir "sair" realmente de onde veio e nunca vai conseguir "ingressar" realmente onde aspira.

16. Se você não conseguir traduzir de volta para o lugar de onde veio qualquer coisa que tenha aprendido com o acesso que teve, então você não terá conquistado nada -- só terá mudado. A assimilação é uma escolha. Procure ser tradutora. Procure compartilhar seu acesso com as pessoas que talvez você tenha deixado para trás. Procure revolucionar as estruturas que nos ensinam que aqueles que conquistam mais acesso valem mais do que valiam quando partiram e menos do que as pessoas em cujo meio agora estão.

17. Nunca leve a validação muito a sério. Isso se aplica especialmente àquelas que crescem na era das mídias sociais. O olhar da hegemonia está sempre focado sobre nós. Encontre validação na razão entre o impacto positivo que você tem sobre você mesma e outros e na maneira como como você magoa e prejudica outros. Você vai magoar outras pessoas. Assuma a responsabilidade por isso, quando for o caso, e sempre fique atenta à frequência com que isso acontece em relação às pessoas que você ajuda a fazer amadurecer. Nenhuma de nós pode ser santa, mas podemos ser relevantes e sencientes.

18. Leve sua luta para sua comunidade, e encontre uma comunidade em cujas lutas você possa intervir. É apenas em comunidade que vamos encontrar sentido neste mundo destruído e sua ideologia corrupta, que herdamos. Lute. Lute. Lute.

19. Você é inerentemente valiosa. Você tem valor. Não peça autorização a ninguém para isso.

Mensen tem 30 anos e é muralista, artista pública e ativista comunitária no Brooklyn. Você pode contatá-la em relação a projetos no endereço msmensen@gmail.com, olhar seu portfólio online em msmensen.com e ver seu blog em msmensen.tumblr.com.

Este post saiu inicialmente no blog de Mensen.

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