OPINIÃO

Por que até quem não é vegetariano deveria lutar pelo bem-estar do animal

26/10/2015 18:44 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
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Lutar pelo bem-estar dos animais não é uma causa exclusiva dos vegetarianos. Pelo contrário: os não-vegetarianos também têm a ganhar se apoiarem a causa.

O tratamento dado aos animais não é só uma questão de princípios ou de ética. Envolve até a qualidade da carne, do ovo e do leite obtidos deles e também a saúde de quem os consome.

Quando os animais passam por estresse antes do seu abatimento, sua carne fica mais fibrosa e, consequentemente, mais dura.

Animais que vivem em confinamento têm maior risco de desenvolver e transmitir de doenças - para evitar que isso aconteça, produtores enchem suas criações com antibióticos. E acredite: quando consome sua carne, você consome também o remédio.

E sim: é possível comer carne e derivados de animais sem que os mesmos sejam maltratados antes ou na hora de sua morte. Seja procurando empresas que agem assim, seja lutando para que outras também o façam.

No Brasil, muitas empresas se comprometeram a cumprir medidas que visam o bem-estar de animais. No entanto, isso nem sempre é cumprido - além, é claro, das empresas que não se comprometeram com a questão.

Hoje, os preços de alimentos de origem animal com garantia de que os animais não foram maltratados ainda é mais alto, o que dificulta sua disseminação no país. Mesmo assim, o consumo deste tipo de produto só cresce.

Os animais, como os humanos, também sentem dor, alegria, medo, frio e estresse. Evitar que eles sofram mais do que o necessário não é só uma questão moral, mas também de interesse: o produto final será melhor.

Nos últimos anos, o aumento da demanda por alimentos de origem animal - especialmente as carnes - fez com que os animais fossem tratados como máquinas, criados em ambientes cada vez menores e sem conforto algum, para otimizar a cadeia produtiva. Em muitos casos, são criados em gaiolas onde mal conseguem se movimentar.

Se você não quer parar de comer carne, pelo menos se preocupe com o bem-estar animal, se ele não sofreu desnecessariamente para chegar à sua mesa.

Recentemente, o Instituto Akatu revelou que 87% dos brasileiros preferem ou admiram empresas cujos produtos não maltratem animais durante a produção, e que prefeririam comprar produtos que garantem o bem-estar animal se preço e qualidade fossem mantidos. Isso é possível - e depende apenas de nós; de você.

Se as pessoas se preocuparem com isso e exigirem este tipo de produto, as empresas serão obrigadas a se adaptar, aumentando a concorrência e diminuindo preços.

Hoje, já é possível encontrar alimentos com certificações que garantem que os animais não sofreram maus tratos até o abate. Um deles é o Selo de Bem-Estar Animal da HFAC (Humane Farm Animal Care), conferido às empresas produtoras que implantam e seguem normas rigorosas com relação ao bem-estar animal.

As normas deste programa incluem uma nutrição equilibrada livre de antibióticos e hormônios, abrigos e áreas de repouso para os animais, espaço adequado para manifestação do comportamento natural da espécie, entre outras coisas.

Para ser classificada como empresa que não maltrata animais, é obrigatório garantir, através de especialistas, que os animais não sentem dor durante sua morte - para isso, é necessário fazer um processo chamado "insensibilização" nos animais, uma espécie de anestesia, para que não sofram durante o abate - por choque, em suínos e aves; ou pistola de ar, em bovinos.

De novo: todas essas mudanças valem muito também para quem come carne.

É possível diminuir a dor e o sofrimento dos animais, sem abrir mão de comê-los. Se você não quer ser vegetariano, pelo menos faça isso - já é um grande passo para um mundo menos violento e mais saudável.

Informe-se sobre a origem dos seus alimentos, cobre as empresas para que se preocupem com o bem-estar dos animais, dê preferência às que já fazem isso e às que possuem certificações deste tipo.

O planeta e os animais agradecem! ;)

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Famosos que são vegetarianos ou veganos