OPINIÃO

367 x 146: Um pontapé inicial em um caminho novo para o Brasil

18/04/2016 12:09 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Ueslei Marcelino / Reuters
Members of the Lower House of Congress celebrate as they get close to enough votes in favor of the impeachment of President Dilma Rousseff in Brasilia, Brazil April 17, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino

"Vai, vai, vai...", "Vai dar!", "Não, será que não vai dar....", "Não, não, não se abstenha, seja homem e vote!", "Pare de mentir!", "Aproveita que já perdeu e não perca a face, seja inteligente e mude o voto, argh, como falta inteligência política..."

Essas algumas das reações de quem assistia à sessão plenária deste domingo.

"Deus tenha misericórdia dessa nação; meu voto é sim!" (Eduardo Cunha); "Pelas criancinhas inocentes nas escolas" (Jair Bolsonaro). "Por Deus", "Pela Democracia", "Pela Constituição", "pelas famílias", "pelos trabalhadores", "contra os golpistas", "contra os canalhas"... essas algumas das falas mais impactantes da noite. Horas e horas de entretenimento, de risadas, de tensão.

A grande vitória política e macroeconômica é o fato de que tudo indica que o Congresso Nacional voltará a atuar em sintonia com o Palácio do Planalto e a política e, consequentemente, a economia não ficará paralizada e em franco crescimento negativo até 2018.

Já é possível especular a respeito de uma linha do horizonte positiva ao fim do túnel. É possível pensar novamente no crescimento das empresas, na contratação de empregados, na importação de produtos, na queda de juros, na realização de sonhos, seja eles quais forem (da casa própria, da pequena empresa, da viagem internacional). Já é possível pensar em encher a geladeira, na retomada do emprego, na queda gradativa do preço da gasolina e do óleo diesel.

Estrangeiros, respirem. Não se afugentem, tampouco levem o capital estrangeiro embora para mercados que valorizam o trabalho individual por meio da permissão de que fiquem com a maior parte dos frutos do próprio labor. Preparem para trazer seus rendimentos e frutos de volta para a terra próspera de Santa Cruz.

Nos dias que se seguem, o risco-brasil terá forte queda. O risco de calote, habitual de governos que gastam mais do que arrecadam (vulgo socialistas, vulgo comunistas, vulgo de extrema esquerda), está desgastado e dificilmente voltará a emperrar a retomada de crescimento do pais.

O grande defeito do governo de esquerda foi levar as palavras de Marx a ferro e fogo e tentarem governar sozinhos, sem coalisão - querendo aniquilar a galinha dos ovos de ouro (empresários e mercados privados). Acharam que poderiam brincar de Robin Hood com os bens de quem produz e que os sacados não iriam fortalecer a segurança.

Hoje ganharam as pessoas que de fato querem trabalhar para o pão de cada dia. Aquelas que não contam com rendas assistencialistas. Ganha a propriedade privada, sustentáculo de qualquer democracia livre.

Hoje a Câmara dos Deputados ganhou uma injeção de moral há muito necessária. Ganharam as pessoas que tem a certeza de que a desigualdade não mata mas, a fome sim; que tem a dimensão de que além de honestidade, é necessário inteligência para governar.

Ganha o sentimento democrático de cada brasileiro, que tirou o domingo para assistir à uma sessão plenária histórica que dá vitória às instituições democráticas sobre a corrupção.

Ganha cada um que foi tantas vezes às ruas e persistiu, colhendo os frutos não só imediatos de ver afastado - ao menos até o julgamento no Senado - governantes demagogos e corruptos mas, também e especialmente os frutos decorrentes do amadurecimento emocional e político que vem com essa luta.

Domingo foi dia para postagens apenas de esperanças, projeções e comemorações. Parabéns ao Brasil! Parabéns à democracia substancial! Parabéns a todos os deputados federais que votaram ouvindo a voz do povo e, especialmente, parabéns a cada brasileiro que individualmente saiu da zona de conforto acrítico e se envolveu politicamente para tomar as rédeas de seu próprio destino!

Hoje porém, em vez de decretar feriado nacional, desejo que os brasileiros possam amanhecer com a vontade e, dispostos a trabalhar cientes de que o Brasil tem pela frente muito a fazer para levar o País para o caminho da austeridade e do crescimento.

Hoje é um dia para resgatar o sentimento de orgulho de ser brasileiro mas, com a reserva de que, se pela frente não houver muito trabalho e seriedade; se cada qual não tiver internalizado que o crescimento do país depende de seus próprios investimentos e trabalho individual, a página pode ser virada para escrever a mesma história. Os brasileiros, a América Latina, todavia, agradeceriam se pudessem ler um novo enredo desta história.

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