OPINIÃO

Picasso, Cézanne, Munch e Da Vinci reunidos no Qatar

18/03/2014 17:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Os petrodólares do Qatar já renderam ao emirado a sede da Copa do Mundo de futebol de 2022, o primeiro GP de Fórmula 1 no Oriente Médio e agora pode botar o país na rota dos circuitos internacionais de arte.

É para lá que estão indo muitos dos quadros mais famosos (e caros) do mundo. Estima-se que a família real do país já tenha investido cerca de US$ 1,5 bilhão (R$3,45 bilhões) em obras de arte nos últimos anos. A maioria das transações, foram feitas em leilões nas badaladas casas Christie's e Sotheby's, em Nova Iorque e Londres.

Em maio de 2012 o famoso quadro O Grito (1893), do expressionista alemão Edvard Munch foi arrematado em um leilão na Sotheby's por US$119,9 milhões (R$275,5 milhões). No mesmo ano a nobreza do Qatar confirmou ter pago o valor mais alto da história por uma obra de arte: US$250 milhões (R$575 milhões) pela tela Os Jogadores de Cartas (1892-1893), do pós-impressionista francês Paul Cézanne. (Veja a baixo imagens dos quadros)

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O Grito (1893), Edvard Munch

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Os Jogadores de Cartas (1892-1893), Paul Cézanne

No ano passado a família foi às compras novamente. Arrematou Criança com Pomba (1901) do cubista espanhol Pablo Picasso por US$80 milhões (R$184 milhões) e Três Estudos de Lucian Freud (1969) do modernista britânico Fancis Bacon por US$ 142 milhões (R$323 milhões), o terceiro valor mais alto já pago por uma obra de arte e o maior da arte contemporânea.

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Criança com Pomba (1901), Pablo Picasso

A nobre família que nada no petróleo, contudo, não gosta de aparecer. Embora as vezes alguma instituição ou museu nacional se apresente como compradora, em geral as transações incluem uma cláusula de confidencialidade, na qual quem está adquirindo a obra não é revelado. Boa parte do que se sabe sobre os arremates do Qatar estão no nível da especulação.

Esse tipo de artifício é bastante comum no mercado de arte, especialmente quando trata-se de um colecionador privado, mas é um tanto inesperado no caso de uma figura pública, cujo objetivo seria a exposição em um museu ou galeria.

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Três Estudos de Lucian Freud (1969), Francis Bacon

O mistério é semelhante ao que evolve a compra de Salvator Mundi (por volta de 1500), do renascentista italiano Leonardo Da Vinci, arrematado o ano passado por US$75 milhões (R$172,5 milhões) em uma transação secreta que só veio a público agora. Mais uma vez o mais provável e que o quadro tenha ido para o Oriente Médio.

Resta saber em qual parede Da Vinci fará companhia a Picasso, Cézanne, Munch e Bacon.

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Salvator Mundi (por volta de 1500), Leonardo Da Vinci