OPINIÃO

Quer viver mais? Ganhe um Oscar

27/02/2014 14:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

No próximo dia 2 de março quatro atores e atrizes sairão Dolby Theatre, em Los Angeles, nos EUA, com a mais cobiçada estatueta de Hollywood. Além de prestígio e o nome marcado para sempre na história do cinema norte-americano, os vencedores do Oscar nas categorias de atuação -- ator e atriz principais e coadjuvantes -- ganharão mais uns bons anos de vida. Pelo menos foi o que descobriu uma pesquisa feita por estatísticos da Universidade de Toronto, no Canadá.

A pesquisa, liderada pelo professor Donald Redelmeier, foi publicada há alguns anos no prestigiado periódico científico Annals of Internal Medicine.

Para testar modelos estatísticos os pesquisadores precisavam de algo que acontecesse com certa regularidade por um longo período e que tivesse impacto expressivo e mensurável na vida de um grupo de pessoas. Também era necessário que os acontecimentos na vida dessas pessoas tivessem sido registrados.

Foi aí que a estatueta banhada a ouro virou assunto de cientista: acontece anualmente desde 1929, é responsável por mudanças radicais na vida pessoal e carreira de atores e atrizes que tem sua vida "monitorada" por revistas e jornais -- o que permitiria aos pesquisadores saberem o que aconteceu com eles após o prêmio.

O que os cientistas descobriram é que, em média, quem sai vencedor do red carpet vive quatro anos a mais do que quem tem que ostentar o clássico sorriso amarelo ao escutar que o nome anunciado não é o seu. A expectativa de vida dos vencedores é de 79,7 anos e a dos "perdedores" de 75,8.

Os pesquisadores supõem que isso acontece porque, uma vez vitoriosos, a carreira desses artistas é alavancada de tal forma que eles tendem a ser convidados para mais filmes, reduzindo problemas como estresse por falta de trabalho. A pesquisa descobriu que em média os ganhadores fizeram quase 59 filmes ao longo de sua carreira, e os indicados pouco mais de 47.

Outra teoria dos cientistas é que, com o prêmio, eles também passam a receberem mais elogios dos colegas, o que também reduz o estresse. Pessoas menos estressadas, em geral, tem um sistema imunológico mais eficiente.

Por outro lado, quem saiu perdendo teve que lidar com uma vida mais difícil e turbulenta. O resultado? Mais problemas com alcoolismo e outras drogas. Intoxicações e lesões foram a causa da morte de 10% dos atores indicados e de apenas 5% dentre os vencedores. Insuficiência hepática ou renal vitimou 4% dos que saíram de mãos abanando e não causou a morte de nenhum dos artistas vencedores.

Curiosamente, entre os roteiristas, categoria analisada pelo mesmo grupo em um estudo posterior, o resultado é inverso: o Oscar significa 3,6 anos a menos de vida. Nesse caso, o prêmio significa ser escolhido para filmes cada vez mais caros e com roteiros mais controlados. Menos liberdade artística abrevia a vida dos roteiristas.

Os resultados obtidos no Canadá poderiam ser uma razão a mais para a estatueta deste ano ir parar nas mãos de Amy Adams, candidata ao Oscar de Melhor Atriz por Trapaça: dentre as cinco concorrentes da categoria, ela é a única que ainda não levou o prêmio.

Boa sorte, Amy.