OPINIÃO

BB Mapfre lança projeto revolucionário no mercado de seguros

12/11/2014 13:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

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Eu sempre odiei fazer seguro. E por muuuuitas razões: dá trabalho, é burocrático, eu não entendo, os intermediários são chatos, não vejo distinção entre as seguradoras, nunca sei se realmente serei reembolsado no caso de um sinistro, eles falam uma língua própria difícil de compreender, etc, etc, etc.

É um monte de perguntas sem respostas e uma insegurança danada. Confesso também que nunca gostei de corretores pois nunca demonstraram valor em qualquer momento, na contratação ou no caso de um sinistro. Enfim: um saco esse negócio de seguro.

Além disso tudo, eu ainda acho que existem outras barreiras. Os jovens, em sua maioria, pensam que são muito jovens para pensar em seguro. Já os idosos veem seguro como algo para jovens e não para eles, que correm poucos riscos. Tem um grupo que olha seguro como algo dispensável e prefere investir o dinheiro num jantar em vez de um seguro residencial. Outras pessoas dizem que fazer seguro atrai "coisa ruim". Enfim, a cultura, desconhecimento e mitos ao redor do seguro são incontáveis.

Apesar de tudo, sempre acreditei que o potencial de negócios no ramo de seguros é imenso pois existe uma massa enorme de pessoas que não contratam seguros - ou porque não entendem ou porque sentem medo de entrar em algo que não conhecem.

Não entendo muito bem esse mercado, mas, na minha opinião, o ramo de seguros tem um problema sério de canal de distribuição, complexidade do produto e da evidência de valor pelo potencial comprador. Ou seja, seguro é sinônimo de complexidade e dificuldade de acesso. Na dúvida, é melhor nem chegar perto, e a maioria da população não chega mesmo.

Fiquei encantado ao saber o que o BB Mapfre está lançando no mercado. Incrível, mesmo. Ousado e inovador. Fico imaginando as barreiras e o número de reuniões para quebrar um modelo que já está para lá de estabelecido. Mas a ousadia da BB Mapfre tem um motivo: o enorme potencial de um mercado praticamente intocável. É surpreendente constatar que 96% de casas próprias não têm seguro. São mais de 44 milhões de residências. Cerca de 61% dos carros circulando no país não têm seguro. Estamos falando de 27 milhões de automóveis. E 90% das pessoas não estão seguradas, um incrível número de 135 milhões de brasileiros. Mas também podemos falar de coisas de menor valor, como celulares, cujo índice de roubos por ano no país é da ordem de milhões de unidades. São números enormes e mostram que qualquer percentual de ganho em share de mercado é significativo. Quem conseguir criar algo diferente e disruptivo terá grande chance de abocanhar parte deste mercado inexplorado.

O projeto do BB Mapfre chama-se "Família Sempre Protegida" e ataca diretamente as principais barreiras. Em vez de um canal elitizado de vendas, o BB Mapfre vai ofertar o seguro diretamente onde o povo está, ou seja, no varejo: nos supermercados, nas bancas de jornais, nos pet shops, etc. Em vez da venda consultiva e complicada, o seguro será uma oferta simplificada e numa embalagem para consumo, como um produto numa prateleira de supermercado. O projeto também prevê uma mudança na linguagem, abolindo os termos complicados e estabelecendo uma abordagem de fácil entendimento por qualquer consumidor.

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Traduzindo isso para as ações, o BB Mapfre vai vender os seguros através de gift cards nos pontos de varejo, nas prateleiras de lojas e em vending machines, como um bem de consumo que você compra e coloca no carrinho de supermercado. As vending machines serão colocadas em estações de metrô, aeroportos e grandes pontos de circulação de pessoas. Existirão gift cards com ofertas pré-definidas variadas, com coberturas e prêmios diversos. Estamos falando de seguro residencial, seguro de vida, seguro para automóvel, seguro para celular, seguro para animais de estimação, enfim, o potencial é enorme. Qualquer um poderá comprar um gift card e dar de presente também, o que acho maravilhoso. As palavras por trás do projeto são: conveniência, simplificação e fácil acesso.

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Será que vai dar certo? Isso eu não sei, só o tempo dirá. Mas garanto que a inovação e a ousadia embutidas nesse projeto são espetaculares. As informações divulgadas afirmam que o projeto levou mais de dois anos para se transformar em realidade, envolvendo 90% das áreas da empresa, consumindo mais de mil horas de reuniões e discussões e engajando 15 fornecedores. Mais de 20 pesquisas foram realizadas.

Este é um exemplo evidente e entusiasmante de como o marketing transforma o negócio, cria oportunidades e vai ao encontro das necessidades do consumidor. É um dos casos mais legais e impactantes de marketing que vi neste ano. Enfim, já sou candidato na compra de algo aí. E não apenas para mim: já tenho até para quem dar um gift card de seguro de presente: meu pai :)

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