OPINIÃO

Resposta a Paola Carosella e sua crítica à Lava Jato

A chef alfinetou o juiz Sérgio Moro por ser "parcial" e "punir apenas um lado".

01/09/2017 14:58 -03 | Atualizado 01/09/2017 15:01 -03
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Paola errou. Mas acredito que errou por não ter dado a devida atenção ao tema.

Como admirador do trabalho de Paola Carosella, a chef argentina do programa MasterChef, me surpreendi quando vi o comentário que ela fez sobre o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato esta semana.

Ao responder, em tom irônico, uma postagem do jornal O Globo no Twitter, Paola acusou o juiz de ser parcial e de investigar apenas "um lado".

Esse tipo de crítica não é nova e se tornou ainda mais comum depois que Lula começou a ser investigado na Lava Jato. O próprio Lula a usa constantemente, dizendo que a investigação é tendenciosa e até mesmo que os procuradores "forçam" investigados a mencionar seu nome.

O ponto é que essa não é uma questão que dependa apenas de opinião, mas sim uma questão que pode ser facilmente verificada observando os nomes e os "lados" dos que estão sendo investigados. Ou dos que até mesmo já foram condenados (antes de Lula, portanto).

Não irei listar todos, pois entre réus e condenados, o número já está na casa das centenas, mas seguem alguns dos principais nomes dos que já foram condenados por Moro:

  • Antônio Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma.

  • André Vargas, ex-deputado federal (PT-PR)

  • Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados (PMDB-RJ)

  • Gim Argello, ex-senador (PTB-DF)

  • Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro (PMDB-RJ)

  • Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora Odebrecht

  • Luiz Argôlo, ex-deputado federal (SDD-BA)

  • Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS

Entre os peixes grandes, há pessoas de diversos partidos e atividades. Há dois presidentes de duas das maiores empresas do País, Odebrecht e OAS; há um governador do Rio pelo PMDB; um deputado da Bahia pelo Solidariedade, do deputado Paulinho da Força; um senador do Distrito Federal pelo PTB, entre outros.

O nome que mais chama atenção na lista, no entanto, é o de Eduardo Cunha. Durante todo o ano de 2016, os defensores de Dilma acusaram o impeachment de ser uma estratégia de Cunha e do PMDB para frear as investigações contra eles. Pois logo após o impeachment, Cunha foi cassado pela Câmara e preso por Sérgio Moro. O principal argumento petista, o "e o Cunha?", caía por terra, junto com seu principal adversário político.

Já este ano, foi a vez de Aécio Neves, cujas gravações das conversas com Joesley Batista praticamente enterraram sua carreira política. Aécio seria "o primeiro a ser comido", já sabíamos desde o ano passado. O impacto foi tão grande que ele nem é mais considerado nas pesquisas presidenciais do ano que vem.

O presidente Temer é outro que também está sob pressão constante dos órgãos de investigação e da imprensa, como tem de ser. A diferença é que, por terem foro privilegiado, a Lava Jato de Curitiba não tem jurisdição sobre o senador Aécio e sobre o presidente Temer.

Caso eles percam o mandato, também poderão ser investigados normalmente.

Paola errou. Mas acredito que errou por não ter dado a devida atenção ao tema.

Afinal, ela é empresária, dona de um restaurante e um café, além de jurada do MasterChef.

Já quem espalha esse tipo de acusação, mesmo tendo acesso às informações, provavelmente o faz por ter interesse em desacreditar o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário em relação à Lava Jato. Os corruptos agradecem.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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