OPINIÃO

Por que a greve do Metrô de São Paulo foi um tiro no pé?

Os metroviários cruzaram os braços para barrar as privatizações das linhas 5-Lilás do Metrô e 17-Ouro do Monotrilho

18/01/2018 19:05 -02 | Atualizado 18/01/2018 19:05 -02
Divulgação/Sindicato dos Metroviários de São Paulo
Para articulista, greve dos metroviários prejudica a população e acaba respingando na imagem da categoria.

Nesta quinta-feira (18), os metroviários entraram em greve com o objetivo de barrar as privatizações das linhas 5-Lilás do metrô e 17-Ouro do Monotrilho.

Ouvi no rádio (disponível no YouTube) as seguintes manifestações de cidadãos e cidadãs de São Paulo:

Ouvinte 1: "Tem que privatizar tudo. Metro privado, tudo privado."

Ouvinte 2: "Nesse ano de 2018 eu só vou votar em quem assumir que é 100% a favor da privatização."

Ouvinte 3: "Nessa greve do metrô, a gente nota que a única linha privatizada (linha amarela) é a única que funciona direitinho.

Ouvinte 4: "Sobre a greve do metrô, temos que falar em diminuição do Estado, senão a gente vai ficar sempre falando de greve, sempre."

Ouvinte 5: "No que diz respeito à greve, eu penso o seguinte: se não está satisfeito, pede as contas e procura outro emprego. Não atrapalhe aquelas pessoas que querem preservar o seu emprego."

Ouvinte 6: "Que seja esse movimento, essa greve absurda, um tiro no próprio pé, pra mostrar que a privatização é a melhor solução para o buraco sem fundo que se tornou o nosso país."

Ouvinte 7: "Só pra reforçar a ideia da privatização de tudo mesmo. Ninguém é penalizado, não tem penalização, por isso que eles fazem isso. Não é só o metro, isso vale pra qualquer estatal."

Ouvinte 8: "Sobre a greve dos metroviários, eu acho isso um absurdo, um desrespeito com o cidadão que tem um emprego, que tem um horário à cumprir."

A greve do metrô contra a privatização teve duas consequências. A primeira foi mostrar que a Linha Amarela (privada) é a mais imune à ingerências políticas do sindicato e que ela é, portanto, a melhor linha para o cidadão-cliente do serviço de transporte público.

A segunda, ligada à primeira, foi aumentar não só o apoio às privatizações, como a intensidade desse apoio, devido à indignação dos paulistanos com o completo descaso que os grevistas tiveram para com a população da cidade.

A greve do metrô foi um tiro no pé.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.