OPINIÃO

Por que 2017 pode ser o ano da direita

04/01/2017 11:06 -02
ojogabonitoo via Getty Images
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Muitos vem percebendo e comentando sobre a ascensão de uma "nova direita". Primeiro, um fenômeno intelectual focado em filosofia e economia, com a popularização de discussões sobre liberdade individual, tamanho do estado e suas intervenções na economia, especialmente sobre o prisma liberal de Milton Friedman e da Escola Austríaca de Mises e Hayek.

Entretanto, nos últimos dois anos, o foco tem passado da filosofia e da economia para a cultura e a política. Não que a filosofia e a economia não façam mais parte do debate, mas o centro de gravidade das principais discussões foi alterado. Com isso, ganha força uma direita mais nacionalista, politicamente incorreta e relativamente mais intervencionista do ponto de vista econômico do que a direita intelectual. É uma direita contrária ao assim chamado establishment.

Um Fenômeno Global

Em 2016, muitas ocasiões mostraram a força dessa onda. Em especial, a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit; a derrota do assim chamado acordo de paz entre o governo da Colômbia e as FARC; e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Os três casos têm algo em comum: foram momentos em que o governo, a mídia, as grandes empresas e as organizações internacionais estiveram unidas e ainda assim foram derrotados. Isso demonstra a força dessa nova onda.

Além disso, casos como a derrota da reforma constitucional na Itália, com a consequente queda do primeiro ministro de esquerda, Matteo Renzi, em dezembro, dão mais uma amostra do que se pode esperar em relação ao cenário político em 2017.

Um Novo Ano

Em 2017, as duas principais nações que formam o coração da União Européia, França e Alemanha, terão suas eleições gerais. Em ambas, já é possível ver sinais de crescimento da direita.

Na Alemanha, Angela Merkel, do Partido Democrata Cristão (centro-direita), já vê o partido Alternativa para a Alemanha, o mais à direita, surgindo como terceira força e se aproximando do Partido Social Democrata, que esteve unido à Merkel nos últimos anos. O governo Merkel já aparenta mudar o discurso e caminhar mais em direção aos descontentamentos recentes dos alemães, especialmente em relação à como o governo tem lidado com a crise de refugiados.

Na França, o atual presidente François Hollande, do Partido Socialista, já anunciou que não irá concorrer à reeleição. As pesquisas mostram que François Fillon, do Partido Republicano, lidera as pesquisas, seguido por Marine Le Pen, do Partido Frente Nacional, a favor do Frexit, a saída da França da União Européia. Se essa tendência se confirmar, o debate eleitoral na França será entre dois tons de direita, uma consequência do fracasso do governo socialista de Hollande.

Além disso, na Holanda, a disputa também se dá entre dois partidos de direita. A diferença nesse caso está em que o partido mais à direita já passa a frente nas pesquisas.

As Duas Direitas

Algo importante a se considerar é quanto da direita tradicional, fundada sobre limitação do poder do governo e a manutenção de uma economia de mercado, ainda está presente nessa onda. Em casos como o de Maurício Macri, na Argentina, e o de Michel Temer, no Brasil, o foco está em reformas para recuperar a economia. É com esse espírito, da direita tradicional, que Sebastian Piñera lidera as pesquisas para as eleições Chilenas de 2017.

Na Europa (assim como nos EUA), por outro lado, onde há problemas econômicos, mas em que o foco se dá principalmente na questão de imigração, terrorismo e influência de organizações internacionais, a direita parece estar menos preocupada com questões individuais e econômicas. Ela ganha força com pautas culturais.

É possível que a direita perca força em 2017 e essa onda se torne apenas uma marolinha. Porém, isso é extremamente improvável. Tudo indica que essa onda deve continuar em crescimento. 2017 pode ser o ano em que a onda da direita se torne um Tsunami internacional.

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