OPINIÃO

Quem é Marine Le Pen?

Rótulo de extrema-direita oculta semelhanças entre Marine Le Pen e políticas brasileiras, como ex-presidente Dilma Rousseff e psolista Luciana Genro.

24/04/2017 14:11 -03 | Atualizado 24/04/2017 19:19 -03
Montagem/Reuters/Facebook
Colunista avalia que candidata tachada de ultradireita na França tem muito em comum com políticas de esquerda do Brasil.

Marion Anne Perrine Le Pen, mais conhecida como Marine Le Pen, é a líder do partido francês, Frente Nacional. O partido fora liderado por seu pai, Jean-Marie Le Pen, por quase três décadas e ficou conhecido por ser um partido nacionalista de "extrema-direita" na França.

Mas quais são as ideias que a fazem ser amada por uns, odiada por outros e que a levaram até o segundo turno das eleições presidenciais francesas de 2017?

As Ideias de Le Pen

A principal ideia defendida por Le Pen é a sua defesa do nacionalismo francês, em oposição ao internacionalismo cosmopolita promovido pela União Europeia (UE). Le Pen defende o "Frexit", a saída da França da UE. Essa proposta assim como sua sua defesa de restrições em relação à imigração são as principais razões de ela ser considerada radical, em especial, de extrema-direita. Porém, tal rótulo é muito simplista, pois muitas das posições de Le Pen são populares não só na França (e com a esquerda francesa) como também com a esquerda brasileira.

Propostas

Na economia, ela é contrária à "mundialização selvagem", que supostamente beneficia bancos e grandes empresas, e defende o "patriotismo econômico", o "protecionismo inteligente" e a taxação de produtos importados. Lembrou alguém?

As propostas são extremamente semelhantes ao Plano Brasil Maior, lançado no início do governo Dilma Rousseff e que contribuiu para o desempenho econômico brasileiro no período. O governo Dilma chegou a aumentar os impostos de importação para cem produtos de uma só vez.

Na agricultura, ela também se coloca contra o "ultraliberalismo" do mercado internacional, o excesso de empresas multinacionais no setor, a competição selvagem e a especulação. A linguagem lembra a utilizada pelo PSOL e por seus candidatos, como Luciana Genro nas eleições de 2014. Além disso, Le Pen defende aumentar os impostos de grandes empresas e dos bancos, proposta comum entre partidos de esquerda, inclusive do próprio PSOL.

No setor energético, Le Pen diz que irá reduzir os preços em 5% na canetada. Novamente, lembra uma medida adotada pelo governo Dilma que visava a reduzir o preço da energia na canetada, mas que teve um efeito reverso, fazendo que os preços aumentassem.

Nas questões sociais, Le Pen tem um histórico dúbio. Ela é contra a eutanásia e, apesar de ter apoiado um referendo sobre a volta da pena de morte, ela defende prisão perpétua para crimes graves. Mas uma posição que pode surpreender os que a ignoravam pelo rótulo de extrema-direita é sua posição contrária a mudanças na lei de aborto, que não só é legal, como é pago com recursos públicos na França.

O rótulo (extrema-direita) às vezes esconde questões importantes. Em relação a suas propostas, o nacionalismo de Le Pen faz que ela queira fechar a França não só para imigrantes, mas a empurra para defender praticamente as mesmas propostas que Dilma Rousseff implementou no Brasil, fechando o País para empresas e mercadorias estrangeiras, e que foram responsáveis, junto com as manobras contábeis e macroeconômicas, para uma das piores crises de nossa História.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

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