OPINIÃO

Era uma vez… um Judiciário honesto

O Judiciário já tem vários dos problemas dos outros poderes e nada nos garante que não tenha todos e mais alguns.

05/09/2017 22:47 -03 | Atualizado 05/09/2017 22:48 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Janot revelou que quatro ministros do Supremo Tribunal Federal são mencionados em novas gravações entregues pela JBS.

Esta semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelou que ministros da Suprema Corte são mencionados em novas gravações entregues à PGR pela JBS. Isso me trouxe uma pergunta à mente: e se algum ministro do Supremo estiver envolvido em algum caso de corrupção?

Vamos por partes. Ser citado numa gravação não quer dizer nada (ainda). Pessoas que conversam sobre a Lava Jato invariavelmente citam alguns dos ministros. A questão, então, é saber de que tipo de citação se trata. Segundo noticiaram alguns canais de imprensa, uma das quatro citações é "gravíssima".

Todos aceitam como plenamente plausível que um deputado, um senador, ou até o presidente da República possam estar envolvidos em casos de corrupção, mas raramente alguém põe em xeque a probidade dos ministros da corte suprema.

Há de se pensar na possibilidade. O gasto médio com juízes no Brasil é de R$47 mil reais por mês, muito acima do teto constitucional. O próprio STF deu anuência a esses pagamentos excessivos ao dizer que coisas como auxílio moradia não entrariam no teto. O Judiciário já começa mal e perde respeito quando dá um "jeitinho" para violar a lei e conceder privilégios a seus membros.

Assim como a punição máxima para um juiz ser a "aposentadoria" é uma imoralidade sem tamanho que deveria envergonhar todos os magistrados honestos.

Sem dúvidas, o Judiciário, assim como a Polícia Federal e o Ministério Público, tem desempenhado um papel essencial no combate à corrupção, especialmente no que se refere à Lava Jato. Ainda assim, seus membros não são infalíveis e não podemos achar que apenas nas casas legislativas ou palácios de governo residem os problemas do Brasil.

O Judiciário já tem vários dos problemas dos outros poderes e nada nos garante que não tenha todos e alguns mais. Não podemos simplesmente acreditar por acreditar que o ele é infalível ou incorruptível. Não vivemos no país do conto de fadas, nem nosso Judiciário faz parte de uma história de "era uma vez...".

Fica a pergunta para a presidente do Superior Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia: O que você faria (ou fará) caso algum de seus colegas se revele envolvido em algum caso de corrupção ou tráfico de influência?

Fará vista grossa? Pedirá a aposentadoria do corrupto? Infelizmente, olhando para o passado do Judiciário, essas são as duas principais possibilidades. Espero que a senhora surpreenda para o bem.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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