OPINIÃO

Devemos permitir que nossos filhos adolescentes façam sexo em casa?

“Se quiser que seus filhos adolescentes estejam seguros, não feche os olhos nem espere que eles não façam sexo – o mais provável é que façam!”

11/09/2017 19:37 -03 | Atualizado 11/09/2017 19:37 -03
STUDIOGRANDOUEST via Getty Images
“Se quiser que seus filhos adolescentes estejam seguros, não feche os olhos nem espere que eles não façam sexo – o mais provável é que façam!”

O que você faria se sua filha ou filho adolescente perguntasse se pode trazer o namorado (a) para dormir em casa? Muitos pais têm pedido minha opinião ao longo dos anos, e a maioria acha realmente difícil conversar com os filhos sobre sexo.

As atitudes podem variar dependendo da nacionalidade. Cresci na Holanda, país que tem uma postura muito tranquila a esse respeito. Dois terços dos pais holandeses permitem que seus filhos de 16 e 17 anos durmam com os parceiros em casa. Na pesquisa Sex, Love and Autonomy in the Teen-age Sleepover [Sexo, Amor e Autonomia de Adolescentes que Dormem Fora], de 2003, Amy Schalet, americana radicada na Holanda, comparou a atitude de pais holandeses com a dos americanos.

São muitas as diferenças entre as culturas e os estilos de criação, mas a mais importante é a atitude em relação ao sexo.

Os pais holandeses tendem a minimizar o lado perigoso e difícil da sexualidade adolescente; eles a normalizam. Acreditam no processo de amadurecimento físico e emocional para o sexo. Acham que os jovens podem se autorregular quando incentivados a avançar e a se preparar de maneira adequada e gradual.

"Ser consciente de que seu filho é sexualmente ativo é bem diferente de se sentir tranquilo sabendo que ele está fazendo sexo no quarto ao lado."

Ao contrário dos pais americanos, muitas vezes céticos quanto à capacidade dos adolescentes de se apaixonar, os pais holandeses assumem que essa paixão é possível. Permitem que os filhos durmam fora, mesmo que isso implique um período de ajuste para superar seus próprios sentimentos de desconforto, pois se sentem obrigados a permanecer conectados e a aceitar que o sexo já é parte da vida dos filhos.

Os adolescentes da Holanda tendem a esperar mais antes de ter relações sexuais, a possuir menos parceiros e a usar anticoncepcionais (facilmente adquiridos) de forma correta e constante, o que produz taxas muito mais baixas de aborto e gravidez na adolescência.

O principal motivo disso é que o país tem uma abordagem liberal sobre o sexo, e a educação sexual dos adolescentes baseia-se no princípio de que os jovens são curiosos sobre a sexualidade e têm direito a informações precisas e abrangentes. Ao contrário da Austrália, a educação sexual na Holanda é obrigatória. E os materiais didáticos contêm uma linguagem clara, direta e apropriada para a idade, além de ilustrações atraentes. Eis a mensagem principal: se você vai ter relações sexuais, que seja de forma segura.

A filosofia holandesa é simples. Os jovens têm direito a uma educação sexual adequada para que possam tomar decisões bem-informadas nos relacionamentos.

Na Austrália, infelizmente, a educação sexual está muito mais atrasada. Em 2012, o então ministro da Educação Peter Garrett, do Partido Trabalhista, incluiu no currículo os temas "identidade sexual e de gênero" e "manejo de relacionamentos íntimos". Diante das preocupações manifestadas por grupos conservadores e religiosos, porém, a Autoridade Australiana de Currículos, Avaliação e Relatórios precisou adiar seus planos para aperfeiçoar a educação sexual. Tais grupos argumentaram que era melhor falar "em família" sobre sexo e puberdade.

Seria ótimo se pudéssemos sentar com os filhos e discutir questões relacionadas com o sexo. Mas a maioria dos pais não está preparada para isso. Sentem-se incômodos e constrangidos, além de não terem conhecimento. As coisas mudaram muito desde que foram jovens.

Crianças e adolescentes devem ter acesso a informações apropriadas à sua idade como parte do currículo escolar. Aos pais, é aconselhável reunir informações e deixá-las prontas para dar aos filhos – e também para si próprios. Pense na educação sexual como um projeto em andamento: se seus filhos sabem que podem falar com você sobre questões importantes para eles, isso é o que farão.

Um excelente DVD chamado The Talk, apresentado pelo comediante australiano Nelly Thomas, está disponível para os pais e filhos adolescentes. Traz conversas sobre sexo e relacionamentos de um modo franco, preciso e não ameaçador.

Outra fonte excelente é o livro Loveability, escrito em 2014 por Nina Funnell e Dannielle Miller. É uma obra de aconselhamento para meninas adolescentes que as trata como seres humanos inteligentes e responsáveis. Também deve ser lido por garotos, e tem um capítulo com uma lista de sites, organizações e livros úteis.

Voltemos então ao dilema de dormir fora de casa. Ser consciente de que seu filho é sexualmente ativo é bem diferente de se sentir tranquilo sabendo que ele está fazendo sexo no quarto ao lado. Afinal, por que criar uma situação em que os filhos são forçados a se esconder, a agir sorrateiramente e a serem desonestos, assumindo riscos desnecessários e tomando decisões ruins sobre sua saúde física e emocional?

Se quiser que seus filhos adolescentes estejam seguros, não feche os olhos nem espere que eles não façam sexo – o mais provável é que façam!

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost AU e traduzido do inglês.

LEIA MAIS:

- Estas são as perguntas mais ridículas já feitas em uma aula de educação sexual

- Um guia prático para você masturbar sua mina (ou a si mesma) com sucesso

Cenas de sexo emblemáticas das séries de TV