OPINIÃO

Diário de viagem: Croácia

15/12/2014 13:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Nunca tinha imaginado ir à Croácia até ir estudar em Budapeste (fiz um mestrado em estudos de gênero na Central European University). Minha turma tinha vários croatas e, como a Hungria não tem praia, a Croácia é o principal destino de férias de verão dos húngaros - depois do lago Ballaton. É assim: quem tá com a grana curta vai ao Ballaton. Quem tá podendo um pouquinho mais dirige até a Croácia. Como estudante pobretona contando moedinhas, eu não tinha dinheiro nem para ir ao Ballaton nem à Croácia. Só ficava ouvindo as histórias dos colegas.

*violinos tristes*

Nessa época namorei, entre idas e vindas, um húngaro. Um dia ele disse que me levaria ao parque nacional de Plitvice, numa viagem romântica. Eu disse: "péra aí, nunca ouvi falar nesse parque, deixa eu dar um Google". E, bem... Googlem "Plitvice" vocês também.

*pausa pra vocês googlarem e imaginarem minha reação*

No fim, a viagem nunca aconteceu. Terminamos pouco depois. Acho que a própria ideia da viagem era uma tentativa tosca de remendar um relacionamento que já não estava indo bem. Mas enfim. Acabou o namoro, ficou a vontade de um dia visitar aqueles lagos azul turquesa.

Aí me mudei para a Holanda para a segunda parte do mestrado, me apaixonei de novo, arranjei emprego fiquei de vez. Então, no verão de 2014, com emprego e salário, finalmente tive condi$ões de concretizar o desejo de ir à Croácia!

Roteiro

Fiquei lá só uma semana - e me arrependi. A maioria dos turistas fica duas ou até mais, pulando de ilha em ilha. Achei que isso seria cansativo e as ilhas, todas mais do mesmo. Então planejei uma viagem mais curta e variada, com uma cidade (Split), uma ilha (Brac) e, claro, o parque nacional de Plitvice.

A ideia de variar a viagem é boa (ninguém aguenta ficar só moscando na praia, por mais lindas que elas sejam). Mas, se pudesse voltar atrás, teria ficado mais um dias, passado menos tempo em Split e visitado mais uma ilha. Saímos da Croácia embasbacados e querendo ver mais.

Split

Meh. Esse é o veredicto. Minha vontade era mesmo conhecer Dubrovnik, mas fica muito longe de Plitvice. Aí resolvi escolher uma cidade que seria the next best thing, mais perto do parque. Ficamos entre Split e Zadar. Venceu Split pela maior facilidade de ir às ilhas (de lá saem barcos para Brac, Hvar e mais várias outras, e a viagem não dura muito tempo) e pelo preço da passagem aérea: a Easyjet, companhia aérea europeia de baixo custo, voa pra lá.

Mas Split não tem nada demais. O centrinho romano é bonito, mas em uma tarde você vê TUDO. E as praias de lá são bem, beeem feinhas. Com tanta coisa linda pra se ver na Croácia, não recomendo perder tempo com Split. Foi nossa cidade "base", e só.

Brac

A ilha tem várias cidadezinhas, mas a mais famosa delas é Bol, pois é lá que fica a praia de Zlatni Rat (chifre dourado), que estampa a maioria dos cartões postais da Croácia. O barco entre Split e Brac dura cerca de uma hora e custa 7 euros. Mas você desembarca na cidade de Supetar. Bol fica do ooooutro lado da ilha, e aí é preciso pegar um ônibus por mais uns quarenta minutos até lá.

E, bem, quando você finalmente desembarca em Bol, o que te recebe é isso:

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Recomendo MUITO o apartamento onde ficamos em Bol. As fotos do anúncio não fazem jus ao lugar -- reservei por causa dos depoimentos positivos e não me decepcionei. Imagine um apê com cozinha, banheiro novinho com toalhas e sabonetinhos, ar condicionado, TV a cabo, uma varanda delícia pra tomar café... Tudo isso com precinho de hostel: 50€ a noite (e não é 50€ por pessoa não, gente! É 25€ pra cada um, mesmo).

Quanto à comida, preferimos economizar e cozinhar "em casa" mesmo. Até porque nenhum restaurante nos atraiu. 90% deles vendiam... Pizza e pasta. Bem pega-turista. E, né, se é pra ir até a Croácia pra comer macarrão, eu mesma faço ;) Uma pena, devia ter algo com a culinária local.

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Tão pega-turista, mas tão pega-turista, que batizam restaurante de #YOLO...

Sobre a praia Zlatni Rat: é tudo que você imaginou vendo as fotos do Google, só que mais bonito. Você olha pra trás e vê isso:

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Aí olha pra frente e vê isso:

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E, chegando perto, a água ainda é transparente assim:

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Dica: tome os smoothies, feitos na hora, da Fruit Land, uma das barraquinhas na entrada da praia.

Mas não vá apenas a Zlatni Rat, visite a outra praia de Bol também (esqueci o nome). Vale a pena. Outro programa indispensável de Bol é subir a montanha Vidova Gora. É de lá que você pode ver o formato de "chifre" da praia. São duas horas pra subir e mais duas pra descer, sem contar todas as pausas pra absorver a paisagem e tirar fotos. Dá pra subir de carro, mas, na boa, não faça isso. Você vai perder 90% da diversão, que é a sensação de "conquistar" aquela vista linda. E também perderá as dezenas de belas vistas pelo caminho.

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A trilha é bem sinalizada e relativamente fácil, mas.... Não é para os aracnofóbicos. Tem cada aranhona DESSE TAMANHO e às vezes é preciso destruir teias - com a aranha junto! -- para prosseguir.

A melhor coisa que eu fiz foi ter levado um chapéu de aba bem grande: além de me proteger do sol, impediu que eu visse as aranhas sobre a minha cabeça, e o que os olhos não veem o coração não sente ;)

Ah, e vá no final da tarde. Meu namorado é uma pessoa metida a esportista, com aqueles papos de superação, sabe? Então queria porque queria subir o troço às 10h da manhã, debaixo do maior sol na moleira. Ok, fomos, levando trocentas garrafinhas d'água. Aí, no pé da montanha, tinha uma casinha com um senhorzinho sentado na varanda. E ele falou, no pouco inglês que tinha: "não sobe, não! Volta pra praia AGORA! Vocês vão passar mal!". Quando subimos, lá pras 4 da tarde, é que vimos o quanto teria sido sofrido (e perigoso) subir com o calor da manhã.

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Se no fim da tarde já foi assim, imagine o que teria acontecido de manhã...

Ao todo, passamos três dias em Bol. É o suficiente, porque a cidade é pequenininha. Daí voltamos pra Split (apesar do pânico, eu sobrevivi à volta hahaha) e no dia seguinte partimos pra próxima parada: Plitvice!

Plitvice

As fotos que você vai ver não têm filtro, photoshop, nada -- aliás, nenhuma das fotos desse post têm nada. E te digo: ao vivo, o azul é ainda mais lindo.

Minha intenção era passar apenas um dia no parque, mas com o horário dos ônibus Split-Plitvice, não conseguimos chegar lá antes das 15h. Então, meu namorado teve a ideia de comprarmos um ingresso de dois dias e dividir a visita em duas. Das 15 às 20h num dia, das 10h às 15h no outro.

Melhor ideia que ele teve na vida! Custou mais caro, mas valeu cada centavo. Assim pudemos andar acho que uns dois terços do parque, que é enorme (a maior parte dos turistas faz somente uma das trilhas sugeridas. Nós fizemos três, se não me engano) e ver como a cor da água muda dependendo da incidência do sol.

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Também amei a pousada onde a gente ficou. Reservei via Airbnb e ia botar o link aqui, mas não achei mais o anúncio. Bem, ao lado da entrada 1 do parque, a cerca de dez minutos a pé, tem uma estradinha bem bucólica, cheia de pousadinhas, chamada Rastovacka. Todas as pousadas dessa estradinha são semelhantes, então acho que tá tudo no mesmo padrão. Busca aí Rastovacka que cê tá feito.

Único porém: não tem NADA para comer nos arredores de Plitvice se você está sem carro. Tem apenas um hamburguer vagabundo na entrada do parque. O único restaurante que tinha ali pegou fogo faz uns três anos e até hoje ninguém reformou. Tá lá, abandonado. Supermercado? Longe demais pra ir a pé. Transporte público até a civilização? Necas. O jeito é fazer uma comprinha de supermercado para carregar na mochila durante a viagem de ônibus (coisa que não fizemos). E, antes de ir ao parque no dia seguinte, encha os bolsos com coisas do café da manhã da pousada! Hahaha

O caminho do ônibus Split-Plitvice, aliás, é um espetáculo à parte, com várias montanhas e lagos. As horas não passam exatamente voando, mas a vista ajuda bastante.

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Este diário de viagem foi publicado originalmente no blog pessoal da Marjorie Rodrigues. Entre lá para ler mais relatos.

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