OPINIÃO

PSDB: Ficar no governo não é passar um cheque em branco ao governo Temer

Aquele que hoje grita 'Fora Temer' amanhã pode responsabilizar o PSDB de ter contribuído para aprofundar a crise econômica.

15/06/2017 20:08 -03 | Atualizado 15/06/2017 20:08 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Vereador defende que PSDB não pode abandonar Temer sob pena de acabar com o governo dele.

A Executiva Nacional do PSDB anunciou esta semana que o partido se manterá na base do governo Temer. Conforme palavras do presidente interino, senador Tasso Jereissati, o PSDB não é um defensor do governo, mas da estabilidade e das reformas necessárias. E a preocupação maior é não deixar que a crise econômica venha a piorar.

Não se trata de um cheque em branco ao governo Temer, tampouco um apreço pelos cargos ocupados nele, mas um compromisso com o País.

É importante lembrar do martírio vivido durante o período pré-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O Brasil andou de lado, com efeitos brutais na economia que afetaram a vida de todos os cidadãos, com aumento do número de desempregados e recuo sensível nos investimentos públicos e privados.

Hoje, o PSDB é a principal base de sustentação num governo combalido, e abandonar o barco seria sua sentença de morte. Isso resultaria em deixar o País relegado à própria sorte por um ano e meio, prazo para que outro nome ocupe a cadeira de presidente.

As suspeitas lançadas contra o presidente são objeto de apurações que estão em curso, e o Judiciário cumpre com independência seu papel de decidir se punições serão aplicadas e quais serão elas.

Antecipar condenações de alguém em processo de defesa não me parece apropriado, afinal isso é o que a lei garante a todo cidadão brasileiro.

Aquele que hoje grita "Fora Temer" amanhã pode responsabilizar o PSDB, como sustentáculo do governo, de ter contribuído para aprofundar a crise econômica.

Ademais, nas atuais condições, a efetiva saída do atual presidente resultaria em um novo grito de "fora" destinado ao próximo ocupante do cargo. E isto é o que o Brasil menos precisa agora.

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O episódio da desfiliação do jurista Miguel Reale Junior do PSDB me causa lamento, mas trata-se de uma decisão pessoal, a qual entendo e respeito. De minha parte, continuo travando a luta para que o partido retome suas origens, convocando imediatamente eleições internas e depuração de seus quadros.

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