OPINIÃO

Nus, pero no tanto, só para fotógrafo ver

19/11/2014 17:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02
Divulgação

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Há exibicionismo. Sim, sempre. Ou para chamar atenção em si, ou porque essa onda ainda se revele parte de algum movimento e/ou campanha promocional. Afinal, repararam que todos os corredores sem roupas, seja pela avenida Paulista aqui em Sampa, seja pelas ruas gaúchas, têm os corpitchos bem em ordem? Tanto os que já vieram a público justificar o "ato de desespero" (sic), como os que foram recolhidos pela Polícia por dito "problema mental", apresentam boa aparência.

Por que tirar roupa ainda pode ser apontado como ato de protesto? Ainda mais no Brasil, onde andar semi nu é quase rotina. Basta ir a praia, assistir aos desfiles carnavalescos, navegar pelas páginas online. Então, a pergunta que não quer calar é: por que os peladões causam tanto mimimi?

Existe um falto puritanismo no ar. Ficar nu em público já deixou de ser tabu faz tempo. E isso, em esfera global. Basta uma desculpinha e o homem se livra das vestes. Deve ser atávico! Afinal, porque todos atendem de pronto o chamado do fotógrafo Spencer Tunick, famoso por convencer pessoas a tirarem suas roupas coletivamente em um espaço público por um motivo só: posar para as suas lentes? E as moças ucranianas do Femen que põem os seios à mostra (quase sempre lindos!) para protestar - pelo quê mesmo? Ah e tem a turma que entra em campo em pleno rolar da bola - esses, geralmente, menos afortunados na forma física - para atazanar a vida do time de futebol contrário. Enfim, ficar pelado já deveria ter perdido à graça, mas ainda causa furor. Cada vez menos, é bem verdade.

Caso contrário, o que justifica o insucesso das convocações que ameaçam levar multidões e resultam em fracassos retumbantes. A primeira foi as das exibicionistas cariocas que convocaram a população, através do Facebook, para um toplessaço, tinham confirmadas mais de 8 mil pessoas na Praia de Ipanema (RJ), na altura do Posto 9. Só seis moçoilas comparecerem. Era um protesto por alguém ter sido incomodada por mostrar os peitos na praia.

Depois da série de nudez em público em Porto Alegre, a Polícia Civil de lá disse que vai monitorar as redes sociais em busca de atos marcados por simpatizantes dos pelados. Um deles está convocando, também pelo Facebook para o ato Correr pelado/a em Poa. Já teria quase 10 mil pessoas confirmadas. A ver.

Enquanto isso, quem gosta mesmo de ficar peladão e não está nem aí para os holofotes, tem espaços legalizados para curtir a bundinha ao léu. Mais de 20 anos depois de começar a ser frequentada por nudistas, a Praia de Abricó, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, foi reconhecida oficialmente pela Prefeitura da cidade como área de naturismo. Até então, havia uma resolução da Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Rio, de novembro de 1994, que autorizava a prática. Agora, uma lei entrou em vigor determinando que fica permitida a prática do naturismo nos limites daquela praia e que o poder público fará o que for necessário para manter a segurança e a ordem, inibindo abusos. O lugar, lógico, pode ser frequentada por pessoas vestidas. Mas não é aconselhável, já que tem mais de 7 mil km de costa no Brasil para exibir os biquínis e maiôs, certo?

Texto publicado originalmente no blog da Marili Ribeiro

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