OPINIÃO

Celular "inteligente" no Bolsa Família

21/05/2014 09:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Divulgação

Quem não tem Steve Jobs, para fazer todas as micagens necessárias que garantiam atenção global da mídia nos lançamentos da empresa, recorre ao charme que está ao alcance de seu bolso. Para lançar a linha de smartphones a preços mais populares (em relação ao top de linha do mercado), a Motorola apelou para o velho e bom evento de relações públicas. Juntou em São Paulo cerca de 170 pessoas entre jornalistas, blogueiros e clientes, num espaço amplo e repleto de pequenos ambientes. Dessa forma, todos puderam passear sem pressa e manusear os aparelhos, assim como esclarecer dúvidas e até entrevistar os executivos da companhia, ao vivo, ou em pequenos grupos. No final, foram mais de 50 entrevistas. Haja fôlego, em especial porque as perguntas quase sempre se repetem. Não é só ídolo/ator de novela/jogador de futebol que sofre, não. Homens de negócios também. Alguns, é verdade, gostam.

No Brasil, o encontro de lançamento da nova linha de celulares foi realizado no Estúdio Glória, em Pinheiros. Quem esteve por lá pôde conversar com o presidente da Motorola, Rick Osterloh. Depois de perder mercado alucinadamente para a pesada concorrência da Samsung e Apple, e de ser comprada pelo gigante Google que, aliás, vendeu para chinesa Lenovo, no começo deste ano, a companhia tenta conquistar um segmento de mercado. Pelo que foi dito no evento, vai atacar os compradores que ainda não tenham um smartphone, ou então os que tenham comprado um sem qualidade. "Entre as pessoas que têm um telefone celular, 70% têm um celular tradicional sem conexão à internet, sem vídeos, entre outras coisas. Ainda temos 2,1 bilhões de pessoas no mundo que sequer têm um telefone móvel", andou repetindo Osterloh aos jornalistas que o questionaram.

A Motorola apresentou a 39 países, agora em maio, os aparelhos Moto E em versões com suporte a dois chips e TV digital. O aparelho de entrada custa R$ 530 e a versão mais turbinada, com dois chips e TV digital, R$ 600. Com o mote publicitário "Made to last. Price for all" (algo como "vendido a preço de custo"), o Moto E não esconde ao que veio: tornar os dispositivos móveis inteligentes acessíveis até mesmo à turma do Bolsa Família. "Acreditamos que o acesso a dispositivos móveis deve ser um direito e não um privilégio", prega o presidente da Motorola.

A diretora de Comunicação para a América Latina, Luciana Vedovato, explica que a companhia trabalha com o time global para definir estratégias de lançamento nos mercados em que atua: "A Motorola foi pioneira em fazer eventos reunindo blogueiros e jornalistas para anunciar seus produtos. Até 2010, os lançamentos eram feitos em sessões diferentes para estes dois públicos. Com a popularização e profissionalização dos blogs, a empresa decidiu reunir blogueiros e jornalistas em um só evento. Esta fórmula deu tão certo que, desde 2013, inovamos e estamos fazendo um evento único para jornalistas, blogueiros, e os principais clientes e parceiros de negócios".

Eu não diria que a empresa "inovou" nessa tática de chamar atenção misturando plateias, já que Jobs vinha fazendo isso há anos. Montava um circo nos EUA e levava convidados do mundo inteiro, além de gerar uma intensa boataria sobre o que seria lançado para "espetacularizar" ainda mais a sua apresentação. Ganhava com essa tática espaço espontâneo na mídia e, após o evento, filas colossais nas suas lojas. O perfil marqueteiro de Jobs foi fator que colaborou e muito para o sucesso comercial da Apple. No mundo da tecnologia, ninguém dúvida, esses encontros se tornam necessários por conta da tecnologia embarcada. É preciso dar esclarecimentos minuciosos. Hoje em dia e cada vez mais, os celulares são computadores de mão.

Texto publicado originalmente no blog Marili Ribeiro.

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