OPINIÃO

A bundinha do Beckham é o melhor do Super Bowl (ASSISTA)

05/02/2014 17:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Que Cannes Lions que nada! O maior evento da publicidade mundial é o Super Bowl, que é a transmissão, a partir de New York, da finalíssima do campeonato de futebol americano. Por arrastar multidões, dizem os organizadores que cerca de 100 milhões assistem à disputa, virou hit do mundinho da propaganda. Ter um comercial bem aceito por essa audiência, em especial se ela vier a compartilhar nas redes sociais, é bem melhor do que ganhar um Leão em Cannes, aquele troféu que os publicitários bem sucedidos gostam de contabilizar por ser uma espécie de Prêmio Nobel para a categoria. Veja bem, trata-se de credencial respeitada no cartão de visitas para negócios no métier.

No evento transmitido pela emissora aberta Fox, há espaço para 60 mensagens veiculadas em minúsculos anúncios pagos a preço de pepitas de ouro pelos anunciantes -- US$ 4 milhões por modestos 30 segundos, distribuídos entre intervalos do jogo. A conquista dessa visibilidade torna-se coqueluche pela atmosfera envolvida e que é incensada pela mídia global. Tanto que, nas últimas edições, um batalhão de relações públicas soltam, dias antes, notinhas os temas dos tais comerciais. Este ano, aliás, distribuíram os próprios filmes para veiculação online antes do jogo. Tudo para popularizá-los já que há ranking dos melhores anúncios, com ampla divulgação e direito a votação no site da liga de futebol americana (NFL): http://www.nfl.com/superbowl/48/commercials#video=0ap2000000321462.

Em que pese a estranha preferência por cavalos -- eles não bebem cerveja --, a escolhida deste ano, conforme pesquisa de preferência comandada pela consultoria AdMeter para o jornal USA Today, foi a campanha da Budweiser que, a exemplo do ano anterior, usou mais uma vez o animal. Só que, desta vez, simulando um clima de terna amizade com um labrador. Conquistou corações e, em cinco dias de exposição no YouTube, ultrapassou 40 milhões de visualizações no portal. Na propaganda do ano passado rolou uma empatia entre cavalo e seu treinador. Sim, lógico, é ele quem consome Budweiser.

Aliás, a internet rouba a cena da televisão, que vem perdendo audiência para o mundo dos conectados, mas que alavanca eventos como o Super Bowl graças à adesão maior justamente por causa dos comentários online. Isso requer das marcas complexa a gestão de imagem. E as jogadas para atrair atenção são inúmeras. No ano passado, forçaram a mão com a velha discussão sexista, com a lengalenga de as mulheres serem vítimas da publicidade machista. Este ano, surgiu outro recurso. A sexy atriz Scarlett Johansson foi contratada pela marca americana de equipamentos para refrigerantes feito em casa, a SodaStream, para ser a garota-propaganda em que provocava as gigantes Coca-Cola e Pepsi. Resultado, a peça publicitária foi vetada pela Fox, que detém os direitos de exibição do evento, apenas por conta da citação das concorrentes. Lógico, na web rola, com sucesso, o comercial vetado.

Só para contrariar, não me empolguei com o cavalinho e seu melhor amiguinho, o cachorrinho. Fico mesmo é com a bundinha malhada no futebol inglês, que os brasileiros aprenderam a amar, do David Beckham, no anúncio que protagoniza. O filme da fabricante de roupas H&M, que ensaia entrar no varejo brasileiro há algum tempo, divulga a linha de cuecas assinada pelo atleta. Como não vejo a menor graça naqueles brutamontes que entram em campo para as violentas disputas do futebol americano, acho certa ironia um meio-campista de um esporte pouco valorizado entre os americanos, o futebol inglês, mostrar seus dotes (e que dotes!) justamente no intervalo do badalado Super Bowl.

Em tempo: o jogo final foi entre Denver Broncos e Seattle Seahawks. Deu vitória ao Seattle.

(texto publicado originalmente no meu blog)