OPINIÃO

'Sororidade' é palavra que traz a lição mais importante do feminismo

10/02/2016 12:41 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
PeopleImages via Getty Images
Portrait of a young university student sitting in a lecture

Agora podemos dizer com toda a certeza que, apesar das (muitas) tragédias, 2015 foi um ano super importante para o feminismo. Surgiram campanhas novas e tantas outras se consagraram. Pela primeira vez, muitas meninas se identificaram com a causa e não tiveram vergonha e/ou medo de usar a palavra feminista.

No ano passado, aprendemos que chega de fiu fiu; que, independente do tamanho da saia, a culpa nunca é nossa; meu corpo, minhas regras; piada machista não tem graça; e, finalmente, reclamamos por liberdade individual e sexual, não por ser um capricho, mas sim um direito.

Se eu pudesse escolher um item da minha lista de resoluções de ano novo para ser realizado seria, certamente, que esse "samba" não morresse em 2016. Para isso, é preciso uma segunda lição de feminismo e, para mim, a mais importante: Sororidade.

Que nome esquisito, né?

Não, não tem nada a ver com as sororities de filme americano. Aliás, tem um pouco sim. Aquelas casas de meninas em universidades americanas, na essência, são para criar um laço entre elas.

Tornam-se irmãs por escolha, por toda a vida.

Sororidade nada mais é do que o principio básico de solidariedade feminina. Agora que você já aprendeu a amar seu corpo e a não aceitar ser tratada como um objeto, está na hora de fazer isso com a coleguinha do lado.

Como feministas sempre apontaram, um dos maiores problemas do feminismo é que muitas mulheres não se identificam com a luta. É mais fácil uma patroa se identificar com um homem de classe média, do que com a moça que trabalha na sua casa.

Tem alguma coisa de errado.

Criaram (quem será?) um mito de que mulheres são cobrinhas umas com as outras. "Mulher é foda", escutei minha vida toda. Em parte, foi um pouco verdade. Quando uma menina nova chega na balada, no trabalho ou numa festa, as primeiras pessoas a comentarem qualquer coisa, normalmente, são outras meninas.

Nas palavras de Simone de Beauvoir, em O segundo sexo:

"[As mulheres] Vivem dispersas entre os homens, ligadas pelo habitat, pelo trabalho, pelos interesses econômicos, pela condição social a certos homens - pai ou marido - mais estreitamente do que as outras mulheres. Burguesas não solidárias dos burgueses e não das mulheres proletárias, brancas, dos homens brancos e não das mulheres pretas".

Sim, pasme: isso foi escrito na metade do século passado.

Ninguém que nasce com cromossomos XX tem uma predisposição genética a falar mal de mulher.

Nos ensinaram a estar sempre em alerta constante contra as inimigas, aquela que quer roubar seu namorado, aquela que fala mal, mas é sua fã incubada.

Para, que está feio.

Partindo do princípio de que toda mulher desconhecida é uma inimiga em potencial, você está dificultando - e muito - o tal do feminismo.

Não adianta amar seu corpo e transar com quem você quiser se você chama a outra de gorda ou puta.

Outra coisa, pare de desacreditar, questionar o lado feminino, sempre que ouvir uma história (agressões, brigas são casos clássicos).

Isso deslegitima completamente a nossa fala, como mulheres.

Não estou dizendo para sempre acreditar em tudo que uma mulher falar, só estou dizendo que às vezes, sem perceber, você tem mais propensão a questioná-la.

Se pergunte porquê isso está acontecendo.

Portanto, a segunda lição, e mais valiosa, que podemos tirar dessa luta é que ela é nossa.

Que 2016 seja um ano de muito amor e solidariedade, que descubramos muitas e novas irmãs.

LEIA MAIS:

- Eu aprendi que temos que 'andar juntas' para combater o assédio

- Três lições que podemos tirar do caso Bolsonaro

Também no HuffPost Brasil:

Por que o feminismo é importante

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: