OPINIÃO

Por onde andam os bons exemplos?

01/04/2014 14:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Eu achei que era impressão minha, mas tenho encontrado muita gente que está com a mesma sensação que eu: assistir jornal anda deprimente demais. Beira o insuportável. A maior parte das notícias vai de ruim a péssima. São casos de corrupção, crimes hediondos, crianças vítimas da violência, guerras, secas, enchentes. Esses tempos apareceu até um caso de esquartejamento no centro da cidade de São Paulo. Será que em 2014 o mundo ficou pior? Ou será que é estratégia dos veículos de comunicação para atrair audiência? É sabido que tragédias chamam mais a atenção das pessoas do que coisas boas. É o clássico exemplo dos congestionamentos por conta dos curiosos quando há um acidente na estrada. Ouço sempre dizer que as ações "do mal" fazem mais barulho que as ações "do bem", e que por isso mesmo nunca podemos perder as esperanças. E, de fato, tem muita coisa boa acontecendo no mundo! Sempre digo que eu preciso manter minha fé nas pessoas intacta para continuar levantando da cama todos os dias. Senão, qual é o ponto?

No meio deste turbilhão de questionamentos, tive o prazer de conversar com o Prof. Jeffrey Sachs, um dos mais renomados economistas atuais, professor da Universidade Columbia, em Nova York e um dos principais especialistas sobre desenvolvimento sustentável. O encontro, que contou com a presença de jornalistas, executivos e representantes da sociedade civil, foi muito inspirador por diversas razões, mas a parte que mais me chamou a atenção foi: está na hora de pararmos de filosofar em cima dos desafios e começarmos a propor e implantar soluções. Menos conversa, mais ação. Em vez de ficarmos tentando achar os culpados para as mazelas do mundo, que tal agirmos para resolvê-las?

Claro que para que este esforço conjunto seja eficiente e traga resultados concretos, precisamos saber para onde vamos. Só que isso já vem sendo discutido há tanto tempo, já temos esse norte. Uma economia inclusiva de baixo carbono. Ou em português claro: uma economia que se baseie em valores humanos, em recursos renováveis, menos poluentes, extraídos e utilizados de forma responsável, levando em consideração a qualidade de vida de todas as pessoas do mundo. Fácil? Nem um pouco. Possível? Sem dúvida.

O que precisamos é de mais pessoas e casos inspiradores que nós dêem força para ir em frente. Chega de desgraça. Temos que valorizar as iniciativas "do bem" que prosperam neste mundo caótico. O exemplo é uma ferramenta poderosíssima para transformação. Porque estamos indo na direção certa, só que na velocidade errada.

PS: Para quem quer saber mais sobre o trabalho do Prof. Jeffrey Sachs, ele colocou o curso inteiro dele gratuitamente na internet (em inglês).