OPINIÃO

Tempos Sombrios

11/01/2016 01:01 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
José Cruz/Agência Brasil

O rebaixamento trazido pela Fitch, em dezembro passado, foi apenas mais um capítulo de uma história que conhecemos com clareza. Primeiro foi a Standard and Poor's. A próxima será a Moody's. Isso tem um resultado direto no volume de recursos investidos no Brasil.

Diante da retirada de investidores, o único caminho para atrair capital será via aumento de juros. Prepare-se. A crise de verdade está chegando.

O desequilíbrio das contas públicas é notório. O governo que almejava um tímido superávit, hoje trabalha com a ideia de déficit e por isso solicitou um cheque especial ao Congresso Nacional de 120 bilhões de reais.

Vivemos a soma de um Estado grande, interventor e desenvolvimentista, que abandonou o tripé macroeconômico do Plano Real, a saber: câmbio flutuante, metas de inflação e controle fiscal mediante superávit primário.

No cerne do problema está uma mudança brutal da política econômica, mediante a adoção de uma Nova Matriz, que começou a ser implementada no governo Lula e atingiu seu ápice no governo Dilma, a saber: política fiscal expansionista, juros baixos, crédito barato, câmbio desvalorizado e protecionismo.

A economia, respaldada pelos fundamentos sólidos de outrora, conseguiu absorver a nova matriz em um primeiro momento, entretanto, logo depois não conseguiu resistir.

O gasto público excessivo pode ser considerado como o ponto inicial. O desequilíbrio das contas, resultado desta ação, levou à perda de grau de investimento.

Em ato contínuo veremos o aumento dos juros com o intuito de atrair novos investimentos para o Brasil. Isso encarecerá o crédito e levará inevitavelmente à redução do consumo. Essa redução da atividade econômica levará ao aumento exponencial do desemprego.

A perda do grau de investimento impulsiona também o aumento do dólar, uma vez que os investidores tendem a se refugiar na segurança da moeda estrangeira. O resultado é aumento da inflação. O dólar, que é o responsável por determinar o preço de bens como soja, milho e petróleo, pressionará a inflação, que deve aumentar.

Façam as contas. Inflação aliada ao desemprego e uma previsão de retração econômica de no mínimo 3% é uma combinação preocupante.

Não temos dois anos recessivos em sequência desde os anos 30. Estamos próximos da depressão.

Este ano será pior do que 2015 porque o governo não fez seu dever de casa no ano passado.

Se o Planalto começar a ajustar o prumo em 2016, o que parece pouco provável, veríamos melhora somente em 2017.

Quando a economia realmente agonizar, o que tende a acontecer neste ano, os efeitos serão devastadores.

O caminho para o ajuste da economia é claro. É preciso um acerto das contas públicas mediante controle de gastos do governo, ou seja, diminuição de seus custos mediante cortes de ministérios, funcionários e fechamento de estatais.

Com essas medidas, seria possível chegar a um superávit primário que traria a credibilidade de volta ao País. Assim, os juros poderiam cair, como também o valor do dólar, evitando pressão sobre a inflação e fechando o ciclo recessivo, o que acaba por gerar empregos.

Entretanto, para Dilma parece ser uma tarefa complexa, pois vai de encontro a tudo em que acredita.

De qualquer forma, sabemos que sua política econômica gerou apenas recessão e desemprego.

Sem convicção para mudar a economia, chegou o momento de mudar o condutor do processo com o objetivo de evitar o pior.

Como ensinou Paulo Brossard, o impeachment tem por interesse maior proteger o Estado e não punir o governante.

Visa apenas que o presidente deixe a gestão do governo.

Sob a justificativa de proteger a economia e o Estado da gestão temerária e de pedaladas para encobrir manobras fiscais, o que configura crime de responsabilidade, chegou o momento de impedir a chegada de tempos sombrios.

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