OPINIÃO

Quem será o nosso Trump?

28/10/2015 20:36 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Republican presidential candidate Donald Trump gestures as he speaks during a rally at West High School in Sioux City, Iowa, Tuesday, Oct. 27, 2015. (AP Photo/Nati Harnik)

Se você acredita que a política brasileira enfrenta um período turbulento, imagine só como estão os nervos aqui em Washington. Os republicanos, que teriam tudo para vencer a próxima disputa presidencial, começaram a se complicar. No lado dos democratas, as coisas também não andam como deveriam. Enfim, com o descrédito dos políticos, as vias alternativas começaram a aparecer. Algo que ainda em breve pode se repetir no Brasil.

Nos Estados Unidos dois nomes despontam na liderança entre os republicanos. Ben Carson e Donald Trump. Ambos sem história na política, seu maior trunfo. Até aqui o eleitorado tem rejeitado os políticos tradicionais, como os Governadores de Wisconsin e Texas, Scott Walker e Rick Perry, que já abandonaram a disputa. Nenhum deles conseguiu levantar recursos suficientes para custear a campanha. Seguem no páreo outros nomes, aqueles que tem trabalhado de maneira mais profissional, como Marco Rubio, senador pela Flórida e Jeb Bush, que governou o mesmo estado. Outro nome de fora da política que tem surpreendido é Carly Fiorina, ex-Presidente da HP, que tem feito uma campanha extraordinária. Assim como Carson e Trump, Fiorina vem de fora do espectro político.

Entre os democratas, Hillary não tem entusiasmado, além de estar, como sempre, enrolada com explicações sobre temas sensíveis, como Benghazi, uso de emails privados e uma série de assuntos que podem abater seu nome em plena campanha nacional. Assim, há uma avenida de possibilidades entre os democratas, que agora esperam a decisão do Vice-Presidente, Joe Biden, sobre sua candidatura. Biden pode desequilibrar a disputa e talvez somente perca a indicação do partido para ele mesmo, especialmente diante das debilidades de Hillary. Biden tem a seu favor um trunfo: o apoio de Barack Obama, que até o momento não é explícito, mas está evidente nos corredores de Washington. Se Obama colocar sua imensa máquina de campanha para trabalhar a favor de Biden, Hillary pode perder a disputa, algo impensável meses atrás.

De volta aos republicanos, Ted Cruz, Senador pelo Texas e membro ativo do Tea Party, mostra-se como uma equilibrada ligação entre a anti-política e o establishment, o que pode levar sua candidatura adiante, mas sabemos que a tendência pela rejeição aos nomes com trânsito em Washington tem sido mais forte, o que explica Carson, Trump e Fiorina entre os favoritos. A pressão é tamanha que levou ao Presidente da Câmara a renunciar. O talentoso John Boehner serviu anos como mediador entre os democratas e as vertentes de seu partido, o republicano. Este ano resolveu desistir. Voltará para Ohio com a sensação de missão cumprida e alívio. A luta pelo seu posto tem sido uma guerra sombria.

Se nos círculos da capital americana a candidatura de Biden entre os democratas é dada como certa, em outros, fica a perplexidade com o retorno do eleitorado republicano diante do populismo barato vendido pro Trump. O empresário atropela as regras da política, apela para os lados extremos do partido e tem angariado apoio firme nas primeiras primárias, Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul, o que pode consolidar seu nome. Trump, que também transita entre os democratas e possui laços de amizade com os Clinton, pode implodir as chances dos republicanos, pois se perder as primárias, disse que lançaria seu nome como independente. Isto dividiria os votos conservadores, entregando as eleições de bandeja para o partido de Obama. A política americana vive tempos estranhos.

As lições da temporada de caça na política dos Estados Unidos serve de exemplo para o Brasil. Se na Europa enxergamos a ascensão de partidos que questionam o sistema e em Washington surgem nomes que atacam o establishment, em nosso país podemos em breve enxergar algo semelhante. Em momentos de crise, nascem líderes populistas que vendem soluções fáceis, mas que geralmente não terminam bem. As chances de o Brasil enxergar um outsider do sistema como solução para a grave crise econômica/política/institucional que estamos vivendo é enorme. Restará saber se o nosso Trump seria melhor do que sua versão americana. Pensando bem, talvez seja melhor nem saber. Se você acha Eduardo Cunha e Dilma Rousseff assombrosos, coloque suas barbas de molho. O pior pode ainda estar por vir.

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