OPINIÃO

Os Desafios de Aécio

27/09/2014 10:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02
Flickr
O senador Aécio Neves participou da convenção nacional do PSDB, em Brasília, que o conduzirá à presidência do partido. Aécio Neves estava acompanhado do ex-presidente da República, Fernando Henrique, do ex-presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, dos governadores Geraldo Alckmin (SP), Antonio Anastasia (MG), Beto Richa (PR), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Teotônio Vilela (AL), Anchieta Júnior (RR) e Siqueira Campos (TO), do presidente do Instituto Teotônio Vilela, Tasso Jereissati, e do ex-governador José Serra. Aécio Neves faz seu primeiro pronunciamento como presidente do PSDB em instantes. Foto: George Gianni / PSDB

Aécio Neves se preparou durante muito tempo para esta campanha. Ele sabia, desde que chegou ao Senado, no início do governo Dilma, que seu nome estava muito bem posicionado para ser o candidato do PSDB. Depois de Serra e Alckmin, Aécio surgia naturalmente na fila como o nome tucano para disputar a Presidência. Começada a campanha, o script estava definido: polarizaria levemente com Dilma, o suficiente para chegar no segundo turno e lá tentar o apoio de Eduardo Campos, que chegaria em terceiro. Bem, isto até o dia 13 de agosto, quando uma fatalidade tirou a vida do candidato do PSB e virou a campanha do tucano do avesso.

Aécio surgiu na política pelas mãos do avô, Tancredo Neves, mas foi sua própria capacidade de articulação que o tirou do posto de coadjuvante e alçou seu nome a outro patamar. Viabilizou sua candidatura para presidir a Câmara dos Deputados em 2001 quando a disputa pendia mais para o lado dos adversários. Ali começava verdadeiramente a fazer política com brilho próprio. Da Câmara, realizou o salto esperado. Disputou e venceu a eleição para Governador de Minas Gerais por duas vezes, deixando o Palácio da Liberdade com 92% de aprovação.

Naquele momento José Serra já era o candidato tucano que buscava substituir Lula. O tucano paulista enfrentaria Dilma Rousseff, candidata oficial. Serra buscou Aécio. Pediu encarecidamente que o mineiro fosse o vice em sua chapa. Naquele momento, Serra vinha bem nas pesquisas, mas precisava do embalo de Aécio e dos votos de Minas Gerais para conseguir se eleger. Mas o mineiro preferiu não aceitar. Ali talvez tivesse sido a grande oportunidade dos tucanos virarem o jogo e retomar o poder. Dizem que o político pensa somente na próxima eleição, mas o estadista na próxima geração. Aécio preferiu esperar a sua vez. Serra perdeu em Minas, que votou maciçamente com Dilma, alcançando praticamente 60% dos votos. Os tucanos perderam mais uma chance, talvez a melhor delas, de chegar ao Planalto.

Aécio é o primeiro candidato do PSDB que defende o legado do partido e do Presidente Fernando Henrique de forma clara, algo deixado de lado por Serra e Alckmin. Pretende trazer as estrelas do time de economistas que estabilizou a economia durante a segunda metade da década de 90 e realizar um choque de gestão, similar ao que fez durante seus governos em Minas Gerais. No papel, o mineiro é a primeira opção daqueles que estão esgotados com a maneira com que o petismo tem governado o Brasil. Mas se Aécio é uma opção racional, o mesmo não pode ser dito quando a emoção entra como fator decisivo na campanha. Sua postura é vista como muito polida, comedida e pouco combativa. Esta eleição precisa de um componente emocional e o tucano vem falhando nesta missão.

Muitos criticam o candidato do PSDB por ter aparelhado o governo de Minas Gerais. Denúncias surgem aqui e ali. Seus adversários o chamam de um coronel moderno. Mas não há dúvida que seu legado no estado foi marcante, especialmente pelos astronômicos índices de aprovação que acabaram levando o ex-Governador ao Senado.

Mas Aécio, que tinha esta campanha extremamente planejada, foi tragado pelo acaso. A trágica perda de Eduardo Campos mudou o quadro nacional de forma dramática. O mineiro, que sempre conduziu suas eleições com inteligência, não soube reagir e suas intenções de voto minguaram, inclusive em Minas Gerais. Cogitou-se a renúncia da candidatura e até abandonar a estratégia nacional e tentar salvar os índices em sua terra natal. Quando nada mais parecia ajudar, eis que seus números reagiram, ainda de forma tímida. Entretanto, uma coisa é certa, se Aécio ainda sonha em chegar ao segundo turno, precisa polarizar com Dilma, defender sua agenda, engrossar o coro dos descontentes e falar grosso, sem medo de assustar o eleitor. O tempo é curto, mas a política pode se movimentar de forma mais rápida do que imaginamos.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para saber mais rápido ainda, clique aqui.


VEJA TAMBÉM NO BRASIL POST:

Quem são os candidatos à Presidência