OPINIÃO

Monica e Hillary

12/05/2014 17:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02
Getty Images
Nigel Parry and Monica Lewinsky during Opening Night Party for Nigel Parry's 'Blunt Exhibition' Hosted by Men's Health - December 5, 2006 at MILK Studios in New York City, New York, United States. (Photo by Michael Loccisano/FilmMagic)

Quando todos esperavam que o assunto já tivesse entrado para a história, eis que Monica Lewinsky reaparece. Ela foi um dos assuntos mais comentados da semana passada aqui nos Estados Unidos e todos os analistas se prepararam para avaliar os possíveis impactos de seu texto para Vanity Fair na eventual tentativa de Hillary Clinton chegar ao posto já ocupado por seu marido em Washington.

Muitos dizem que o timing foi perfeito, ou seja, este assunto apareceria cedo ou tarde durante a campanha e, surgindo agora, gera apenas danos controlados na imagem de Hillary. Outros argumentam que isso enfraquece a potencial candidata dos democratas, pois abre espaço para questionamentos sobre outros escândalos que podem gerar danos mais sérios para ela. E sabe-se que no caso dos Clinton, sempre existe a possibilidade disso se concretizar.

A semana não foi boa para Hillary, pois nos mesmos dias em que Monica ocupou o noticiário, os republicanos resolveram mirar na antiga chefe do Departamento de Estado. Uma nova investigação sobre o que aconteceu em Benghazi será iniciada e um novo comitê parlamentar será formado. A pressão sobre ela tomou proporções maiores do que se esperava durante esta semana.

Isso anima também outros democratas, afinal, apesar de ser a favorita, tudo leva a crer que haverá disputa pela indicação do partido. A senadora Elizabeth Warren, que flerta com uma possível candidatura, continua se fortalecendo, enquanto Joe Biden, vice de Obama, tenta sedimentar seu nome. Nenhum deles, entretanto, faria sombra para Hillary, e tendem a abrir passagem para ela. De qualquer forma, todo cuidado é pouco, pois em 2008 um desconhecido Senador por Illinois surgiu com uma força incrível e atropelou a ex-Primeira Dama, tornando-se o 44º Presidente dos Estados Unidos.

Na minha opinião, o retorno de Monica Lewinsky, insinuado por alguns republicanos como algo calculado, não deve gerar danos, tampouco incentivos para a campanha de Hillary. Suas declarações não foram surpreendentes ou dotadas de impacto a ponto de afetar a campanha presidencial. Se nenhum fato novo surgir, a história tende a ficar no passado e cair no esquecimento. Este é um fato superado dentro da esfera política.

Mas enquanto Monica fica no passado, Benghazi está cada vez mais no presente. E isto sim é algo que deve tirar o sono de Hillary.