OPINIÃO

Marina Vem Aí

06/10/2014 19:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
Victor Moriyama via Getty Images
SAO PAULO, BRAZIL - OCTOBER 5: Brazilian candidate for President Marina Silva speaks during a press conference at the Brazilian Socialist Party on October 5, 2014 in Sao Paulo, Brazil. Marina Silva had 21% of the votes and will not move to the second round against the current President of the Republic, Dilma Rousseff and Aecio Neves. (Photos by Victor Moriyama/Getty Images)

Aécio Neves fez aquilo que parecia impossível. Virou uma eleição praticamente perdida quando muitos cogitavam inclusive que ele renunciasse em favor de Marina Silva. O tucano deu a volta por cima e agora chegou ao segundo turno. Desembarca em alta, vivendo o seu grande momento nesta eleição. Precisará, agora, encontrar a sintonia perfeita que pode levá-lo a vencer Dilma e chegar ao Palácio do Planalto.

A recuperação de Aécio nas pesquisas tem também relação com Dilma, ou melhor, com João Santana, o marqueteiro do petismo que massacrou impiedosamente a imagem de Marina Silva, fazendo com que suas intenções de voto fossem minguando aos poucos e o tucano pudesse ir crescendo na margem. Marina, que tinha em suas mãos todos os elementos para vencer, começou a se perder. Apesar de possuir o momento político, a novidade e principalmente a sensação de renovação com ética que sua campanha trazia, foi confrontada com o que a política pode fazer de pior - triturar reputações, criar mentiras e abalar sua confiança. Marina não se defendeu, tampouco contra-atacou. Quando sua nova política se viu diante dos ataques da velha forma de ganhar eleições, sua candidatura não encontrou forças para reagir.

Portanto, se Marina tivesse decidido entrar no jogo da velha política, ou da política como ela é, provavelmente teria resistido. Ela não era apenas um fenômeno efêmero, um balão que perderia o gás naturalmente, mas uma candidatura consistente que procurou se manter íntegra, mas que foi massacrada pela máquina de moer reputações, idealizada por seus antigos companheiros. Pasma, aparvalhada e abatida, chegou na reta final de campanha sem forças.

Do outro lado, enquanto Dilma subia para seu teto, na faixa dos 40%, recuperando o fôlego e os votos perdidos para Marina, Aécio ressurgia e dava sinais de vida. Subia vagarosamente com a ajuda indireta dos petistas e passou a esperar o momento certo de dar o bote. Na última semana sua campanha engrenou, as peças encaixaram e tudo chegou ao ápice com um desempenho memorável em um debate em que confrontou Marina, deu lições de moral a Dilma e mostrou a postura indignada pela qual seus eleitores esperavam por tanto tempo. Aécio ressurgia competitivo.

Quando o tucano decidiu mostrar-se como contraponto ao petismo, seus índices começaram a reagir e uma transferência avassaladora de votos começou a se movimentar em seu favor, algo como 13 milhões em menos de 10 dias. Do poço dos 14% para onde foi jogado após a ascensão de Marina, terminou o primeiro turno com quase 34% das intenções de voto.

Eis que passado o primeiro turno entra em cena Marina e seus 22 milhões de votos. Subitamente, aquela que foi tratada como pária pelos concorrentes, passará a ser cortejada e elogiada. Mas tudo indica que ela já tomou sua decisão e não será a neutralidade de 2010. Ela irá fazer valer seus 21% obtidos neste primeiro turno. Ela diz que o mais importante é dar voz aos seus eleitores, pois eles votaram pela mudança.

Alianças regionais, apoios, ataques, investigações, acusações. Este será o segundo turno. Mas o segundo turno também será de Marina. E se ela aliar seus seguidores, desejosos de uma mudança significativa no Brasil, a um dos projetos em disputa, pode fazer toda a diferença. Os próximos dias estarão aí para provar se tenho razão ou não.

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