OPINIÃO

A resistência dos números de Marina

12/09/2014 13:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02
ASSOCIATED PRESS
Marina Silva, presidential candidate of the Brazilian Socialist Party flashes a V-sign as she campaigns in Sao Paulo, Brazil, Wednesday, Sept. 10, 2014. Brazil will hold general elections on Oct. 5. (AP Photo/Andre Penner)

Marina continua a sofrer a pancadaria dos adversários. A munição, por menor que seja, está sendo despejada de forma impiedosa na candidata do PSB. As escoriações começam a aparecer, mas surpreende a capacidade de resistência diante da artilharia pesada. Marina mantém-se colada em Dilma na previsão de primeiro turno e segue vencendo no segundo round.

O revestimento que reforça a resistência de Marina neste momento vem do grito das ruas de 2013. O tal gigante, que havia acordado, resolveu dar seu recado. Marina é apenas o instrumento por onde fala a indignação de 30% do eleitorado. Uma parcela que ainda não havia encontrado um nome que expressasse sua ânsia de mudança até o falecimento de Eduardo Campos. A resistência dos números diante dos ataques reforça a ideia de que realmente sua intenção de voto parece estar consolidada, como previ, na casa dos 30%.

Este é seu patamar. Pode oscilar, mas sempre dentro deste nível, o que garante sua passagem para o segundo turno. Dilma também oscila dentro dos 30%, patamar histórico do PT. Isto também garante a petista no segundo turno. Aécio precisaria encarnar a indignação e polarizar com Dilma. Tem feito este trabalho de forma tímida, por isso patina nos 15%. Não há, como já escrevi desde o começo da ascendência de Marina, qualquer possibilidade de resolução da disputa no primeiro turno ou um segundo entre ela e Aécio.

A estratégia da candidatura oficial é desgastar Marina, por óbvio. Por isso bate forte, sem dó nem piedade. Junto vem a tentativa de desconstrução, tática já usada pelo petismo contra os candidatos do PSDB, que abraçam o script, sempre no papel de oposição amestrada. Os ataques petistas vem orientados pelo resultado dos grupos focais de pesquisa do bunker de Dilma. De qualquer forma, diante do fogo cruzado, os números de Marina sofreram escoriações, nada preocupante, mas reais. Entende-se o impacto mais imediato porque seu eleitorado é afetado mais rápido, uma vez que se concentra nas faixas de renda mais altas. O resultado direto é que a distância entre ambas diminuiu na previsão de segundo turno e a rejeição da candidata do PSB oscilou para cima.

Mas é bom lembrar que o Planalto também possui telhado de vidro, afinal o escândalo da Petrobrás vem por aí e pode ganhar fôlego para o segundo turno se bem explorado pelos opositores de Dilma. Neste caso, os números da Presidente tendem a demorar mais para sentir as denúncias, pois a maturação do assunto nas suas camadas mais sólidas de voto demoram algumas semanas.

Está aberta, portanto, a temporada dos ataques e campanha negativa. Por enquanto, Marina está na frente. Tem absorvido as pancadas sem ceder muitos votos e sua ofensiva contra o Planalto, especialmente explorando o escândalo da Petrobrás, ainda nem começou. Marina mantém sua rejeição em patamares muito menores que Dilma e o tempo de TV se dividirá igualmente no segundo turno. Somando tudo isso, a candidata do PSB vence, não por nocaute, mas por pontos. Em política tudo pode acontecer, mas a tendência ainda é uma vitória de Marina.

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