OPINIÃO

Questão de estilo

29/05/2014 17:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Divulgação

Em uma época de massificação de produtos industrializados como a que vivemos atualmente, alguns poucos consumidores fazem questão de se destacar pelo estilo. Para esses, a indústria automobilística produz em pequena escala modelos especiais de design arrebatador com o melhor que a tecnologia pode oferecer.

No caso da Volkswagen esse modelo atende pelo nome de Confort Coupé, ou simplesmente, CC.

Belo e elegante, o CC nasceu para ser uma opção mais em conta no segmento de 'coupé de 4 portas' inaugurado pela Mercedes em 2004 com seu modelo CLS.

Afinal os sedans, modelos preferidos dos consumidores executivos, passam uma imagem sisuda e até careta por causa de sua característica de ter três volumes (um para o motor, outro para a cabine de passageiros e outra para o porta-malas).

Já os coupés são automóveis que podem até ter o mesmo porte de um sedan, mas oferecem apenas duas portas, possibilitando maior harmonia em design com queda acentuada na linha do teto.

Essa característica faz com que os coupés sejam modelos preferidos por solteiros ou casais sem filhos/com filhos pequenos, já que o espaço no banco traseiro não é dos mais confortáveis para se transportar adultos.

Pois bem, a Mercedes quebrou esse paradigma com os modelos CLS onde a linha do teto sofre um declive acentuado como o de um coupé, mas a cabine possui quatro portas, o que significa que adultos contam com um razoável conforto também nos bancos traseiros.

O sucesso da iniciativa da Mercedes fez com que outros fabricantes explorassem esse segmento: a BMW lançou o Serie 6 Grand Coupé, a Porsche o Panamera, a Audi o A7 e a Aston Martin o Aston Martin Rapide, como se vê, todos automóveis de marcas 'populares'... entre os milionários, claro.

São modelos para poucos: um Mercedes CLS 350 CGI (o mais barato CLS vendido no Brasil) custa a bagatela de R$ 304 900.

Mas aí a Volkswagen lançou o belo CC.

Ele traz o design de 'coupé 4 portas' pela metade do preço do Mercedes: um CC 2.0 Turbo custa a partir de R$ 146.990. Debaixo do capô, o mesmo motor do Jetta turbo, um quatro cilindros de dois litros que desenvolve 211 cv e 28,5 kgfm de torque máximo desde os 1.700 rpm.

Por R$ 40 mil a mais é possível levar para a casa o CC top de linha, que ostenta debaixo do capô um belo motor V6 de 3,6 litros que desenvolve 300 cv com 35,7 kgfm de torque máximo a 2 400 RPM.

Com esse argumento, o CC V6 acelera de zero a 100 km/h em 5,5 segundos. A velocidade máxima... bom, o que interessa a velocidade máxima se o máximo permitido em nossas rodovias é 120 km/h...?

Além do motor mais potente, o CC V6 vem com tração 4Motion nas quatro rodas, que possibilita menor perda de tração e estabilidade excepcional em qualquer tipo de curva. Já o CC 2.0 Turbo só dispõe de tração dianteira.

No entanto, ambos contam com a excelente transmissão DSG (Direct Shift Gearbox), de seis velocidades e duas embreagens. Parece um automático Tiptronic, já que não há pedal de embreagem, mas não é.

Na verdade, o DSG funciona como se tivesse duas transmissões manuais em uma só. Enquanto uma das embreagens cuida das marchas pares, a outra cuida das ímpares. Quando uma marcha está em ação, a próxima já está engatada (mas com sua embreagem acionada). É a eletrônica que aciona uma embreagem e desacopla a outra em questão de centésimos de segundo fazendo a mudança de marcha. A diferença para uma transmissão automática sequencial normal é que o DSG opera sem a necessidade de se reduzir a força do motor para evitar trancos.

Além disso, os sensores do DSG impedem que uma troca de marchas aconteça durante uma curva acentuada. E, se o motorista resolver reduzir uma marcha ao invés de engatar a próxima, o sistema fará a redução como em um câmbio tradicional.

Ok, no trânsito pesado de nossas cidades, tanto faz. Mas se aquele passeio de fim de semana tiver uma estrada, você vai se sentir o melhor dos pilotos.

Mais importante que o desempenho em um carro desses, é o conforto. Em ambas versões o banco do motorista vem com regulagens elétricas e memória de posição. Opcionalmente, pode vir também com aquecimento, ventilação e massageador (!).

Para isolar do caos lá fora, o sistema de som é um Technisat System RNS315 com tela de 5 polegadas sensível ao toque, com rádio AM/FM, CD Player com leitor MP3, entrada para cartão SD na frente, Bluetooth e GPS integrado. No porta-luvas, há entrada para iPhone/iPod (não tem entrada USB). Pode ser acionado por comando de voz (no volante) onde uma suave voz feminina lhe responderá em português... ora, pois, de Portugal!

Esse sistema de som foi projetado pela Dynaudio, fabricante dinamarquesa de alto falantes de altíssima qualidade. Chamado de 'Dynaudio Confidence', ele distribui o som por dez alto falantes de baixa ressonância alimentados por um amplificador digital de dez canais com potência total de 600 watts.

A perfeita distribuição do som faz com que você sinta que está em um concerto ao vivo.

Atrás do volante multifuncional (que comanda o telefone viva-voz, sistema de som e computador de bordo), há as aletas para trocas de marcha manuais. A partida pode ser feita mesmo com a chave guardada no bolso, apertando a tecla 'start' no console. O sistema Climatronic de ar condicionado permite regular digitalmente uma temperatura para o seu lado e outra para o passageiro, além de contar com um sensor que mede a umidade do ar na cabine e compensa automaticamente evitando o embaçamento dos vidros.

E além da câmera de ré para auxiliar as manobras, o CC conta também com o sistema de assistência ao estacionamento (Park Assist), que, ao rastrear uma possível vaga, calcula se há espaço suficiente e faz a baliza sozinho. Cabe ao condutor apenas acelerar e trocar as marchas (Drive ou ré).

Para evitar distrações na estrada, o CC conta com o sistema 'Front Assist', um controle de velocidade adaptativo ao veículo da frente. Você pode programar para ficar de um a quatro veículos de distância do automóvel que está a sua frente. Caso o carro da frente diminua a velocidade, o CC também irá frear, independente de sua vontade.

No console há uma tecla de acionamento do sistema 'Auto-hold', que impede que o CC desça em ladeiras sempre que você tirar o pé do freio.

Os pneus são do tipo autosselantes, que vedam um furo impedindo o escape de ar com sistema de monitoramento de sua pressão. Os faróis do CC V6 são do tipo bi-xenônio com luz diurna em LEDs e luzes de curva. Como o CC tem sensor crepuscular, ao se deixar os faróis na posição 'auto', não é preciso mais se preocupar em acendê-los quando escurecer ou entrar em um túnel.

Quer outro mimo? Saiu do supermercado cheio de sacolas e quer abrir o porta-malas? Com a chave no bolso, basta passar o pé embaixo do para-choque traseiro. Um sensor irá abrir a tampa automaticamente.

O VW CC não é um Mercedes, mas se colocado lado a lado na porta de um restaurante sofisticado, seu design chamará mais atenção que um BMW série 3 ou um Mercedes Classe C (que hoje em dia nem são mais tão exclusivos assim) da mesma faixa de preço.

E afinal, não é isso que um consumidor fã de estilo deseja?

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