OPINIÃO

Mustang: Cinquentão Bom de Briga

01/10/2014 10:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02
reprodução

A Ford americana mostrou na última semana nos EUA a 6ª. geração do cinquentão Mustang.

Apresentado ao público pela primeira vez na New York World's Fair (uma feira mundial de produtos diversos) em abril de 1964, o Mustang foi criado para ser um carro barato, pequeno (para os padrões americanos) e potente, de olho na grande demanda de jovens desejosos por modelos esportivos.

Foi um sucesso imediato. Logo no primeiro dia que foi apresentado foram realizadas a pré-venda de 22 mil unidades. Parte desse sucesso pode ser creditado ao amplo leque de opções de motores e equipamentos que ele oferecia, além de inicialmente carrocerias cupê hardtop ou conversível.

Para baratear o custo final das versões mais simples, muitos dos componentes do Mustang vieram de outros modelos Ford (Falcon e Fairlane), como chassi, motor, suspensão e partes da transmissão. Assim, a versão mais barata do Mustang tinha o preço sugerido de venda de apenas 2368 dólares e trazia uma peculiaridade hoje muito valorizada pelos colecionadores: o logotipo do Ford Falcon no centro da buzina sendo coberto por um logotipo do então novo Mustang.

Essa foi a primeira fornada do Mustang, conhecida pelos fãs como 1964 ½.

Em agosto desse mesmo ano sairia o ano-modelo '1965', que trazia algumas correções e também a opção de carroceria cupê fastback.

Lee Iacocca, chefão da Ford que coordenou o projeto do Mustang, tinha como meta vender 100 000 Mustang no primeiro ano, número esse que foi alcançado em apenas três meses. Em 18 meses, a Ford já teria ultrapassado a marca de um milhão de unidades.

O Mustang também é um grande astro de cinema, com participação em mais de dois mil filmes sendo o primeiro uma ponta com um modelo conversível ainda de pré-produção no filme 007 Contra Goldfinger, lançado em setembro de 1964.

A glória no entanto, seria alcançada com um modelo GT fastback pilotado pelo excelente Steve McQueen em Bullit, de Peter Yates, em 1968. A cena onde ele caça os bad guys (old guys na verdade) que tentam fugir em um Dodge Charger R/T pelas ruas de São Francisco é uma das perseguições mais famosas da história do cinema.

mustang bullit

McQueen deixando sua marca no asfalto de São Francisco em Bullit

Embora tenha passado por algumas gerações menos inspiradas nos anos 70 e 80, o fato é que o Mustang pode se orgulhar de nunca ter saído de linha: está em produção há 50 anos contínuos. Coisa que seu arquirrival, o Camaro da Chevrolet (que nasceu em 1966 para brigar com o Mustang), não pode dizer: ele parou de ser produzido em 2002 e voltou em 2009 (como modelo 2010).

Voltou para concorrer com quem? Com o Mustang, lógico, já que a Ford resolveu fazer uma bem sucedida homenagem ao design dos primeiros modelos na sua quinta geração em 2005 e ele voltou a ser um sucesso de vendas.

Tamanha longevidade fez com a Ford produzisse mais de nove milhões de unidades desse modelo.

O MUSTANG 2015

Pois bem, 50 anos se passaram e agora a missão do Mustang é mais espinhosa: tornar-se um sucesso de vendas no mundo inteiro. Se antes o Mustang foi feito para atender ao 'american way of life', agora ele tem que atender a nova filosofia da Ford de oferecer uma mesma linha de produtos em vários países. O objetivo da Ford é comercializar o Mustang em 120 países.

Por isso o Mustang está mais refinado, com equipamentos como botão de partida sem chave, sistema de conectividade SYNC e configuração personalizada onde o condutor pode ajustar o nível de esforço da direção, as configurações da transmissão e do controle de estabilidade eletrônico, selecionando os modos de direção no painel, entre outros mimos.

O design dessa sexta geração ainda remete aos primeiros modelos, mas de uma forma suavizada, se compararmos com os da quinta geração. Para conferir ao Mustang o 'family feeling' da Ford atual, a parte frontal segue as linhas do Fusion.

Oferecido nas versões fastback e conversível, o Mustang 2015 conta com três opções de motorização, de 4, 6 e 8 cilindros.

Curiosamente a versão de entrada não é a de quatro, mas a de seis cilindros aspirada de 3,7 litros que desenvolve 304 cv com torque máximo de 37 kgfm.

Já a versão quatro cilindros utiliza um motor da família EcoBoost de 2,3 litros com injeção direta, comando de válvulas variável e turbocompressor para entregar 310 cv com torque máximo de 42 kgfm. Deve ser a versão mais vendida no mercado europeu, já que oferece bom desempenho com consumo mais baixo (para quem aliviar o pé no acelerador).

Mas é claro que a Ford não poderia deixar de oferecer um Mustang com motor V8 para brigar com os Chevrolet Camaro e os Dodge Challenger. A versão GT do Mustang 2015 traz debaixo do capô um V8 de 5,0 litros com potência de 441 cavalos e torque máximo de 55 kgfm.

Essa deve ser a versão que será comercializada aqui no Brasil, já que a intenção declarada da Ford brasileira é posicionar o Mustang um degrau acima do Camaro para quem sabe, brigar com os esportivos alemães.

Mas embora o Mustang tenha presença garantida na próxima edição do Salão do Automóvel de São Paulo (30 de outubro a 9 de novembro), ele só deve chegar às concessionárias Ford brasileiras no final de 2015 ou começo de 2016, até estar devidamente regulado para rodar com nossa alcoolina.

E com preço (bem) acima dos R$ 200 mil.

mustang

Visto de trás, lembra mais os Mustang de primeira geração

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