OPINIÃO

As empresas são as melhores plataformas de mudança

18/01/2016 14:53 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Stuart Kinlough via Getty Images
Crane building city with plants and flowers

Todos os dias eu sou lembrado de que estamos vivendo em uma das eras mais emocionantes e transformadoras da história. Em meus 35 e poucos anos na indústria da tecnologia eu nunca vivenciei tanta inovação e de uma forma tão incrivelmente rápida. Mudanças tectônicas desencadeadas pelo uso da nuvem, redes sociais, celulares, ciência da informação e tecnologia da Internet das Coisas estão transformando cada uma das indústrias, do setor de transportes e entretenimento até o de compras e serviços financeiros.

Além disso, descobertas em inteligência artificial, computação quântica, robótica, energia limpa, engenharia genética e outros campos têm o potencial de reformular profundamente a produção, a medicina, a agricultura e vários outros. Líderes empresariais de todos os lugares estão tentando acompanhar essa imensa onda de transformação digital.

Também estamos em uma era onde cada líder empresarial precisa considerar como essas descobertas de tecnologia digital vão impactar não só a sua empresa, mas a comunidade, o planeta e a sociedade como um todo. Essas maravilhosas inovações não só criam oportunidades fenomenais de crescimento econômico, mas também sérias mudanças na sociedade. Inúmeros trabalhos serão substituídos por máquinas inteligentes e robôs. O aumento de capacidade na área de inteligência artificial e engenharia genética têm o potencial de ir além do controle de seus criadores.

Como sociedade, nós estamos entrando em um território inexplorado -- um mundo novo em que governos, líderes empresariais, comunidade científica e cidadãos precisam trabalhar juntos para definir os caminhos que direcionam a tecnologia para melhorar a condição humana e minimizar os riscos.

Como disse o Professor Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, em seu novo livro, A Quarta Revolução Industrial , "a não ser que os líderes do setor público e privado garantam aos cidadãos que eles estão executando estratégias confiáveis para melhorar a vida das pessoas, os conflitos sociais, a migração em massa e o extremismo violento poderiam se intensificar criando, desta forma, riscos para os países em qualquer fase de desenvolvimento".

Eu tenho a firme convicção que as empresas são as melhores plataformas de mudança e podem causar um enorme impacto para melhorar o estado do mundo. Os líderes empresariais estão em posição de influência e devem ser responsáveis por mais do que seus acionistas. Nós somos responsáveis pelo bem-estar de uma vasta comunidade de empregados, clientes e parceiros, assim como de outros seres que habitam o planeta conosco.

Essa minha crença foi solidificada mais profundamente durante uma reunião ano passado em Gênova com Peter Maurer, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Estávamos discutindo a trágica e inédita situação de um milhão de migrantes que buscam refúgio na Europa e como ele e o CICV se dedicam a ajudar essas pessoas deslocadas. Enquanto ele falava eu notei uma foto na parede de um homem que eu nunca tinha visto antes. Era o suíço Jean Henri Dunant, um homem de negócios, que posteriormente eu descobri foi o responsável pela visão inicial do CICV e o primeiro vencedor do Prêmio Nobel da Paz.

A visão de Dunant para a Cruz Vermelha foi fruto da sua experiência como testemunha das consequências da Batalha de Solferino na Itália durante o verão de 1859. O exército francês, sob Napoleão III, e o exército sardo, sob Victor Emmanuel II, derrotou o exército austríaco de Joseph I. Havia mais de 20,000 guerreiros no campo, entre mortos, pessoas a ponto de morrer e feridos. Dunant usou as suas habilidades empreendedoras e de negócios para mobilizar os moradores locais retirando os feridos do campo de batalha para uma condição estável. Ele também organizou o financiamento para o abastecimento e a construção de hospitais temporários.

Após o seu retorno a Gênova, Dunant foi inspirado a criar uma organização dedicada a melhorar a qualidade dos serviços médicos no campo de batalha, o que levou à fundação do CICV em 1863. Hoje, o CICV continua o seu esforço para aliviar o sofrimento no mundo todo, com mais de 12.000 funcionários que trabalham em 80 países ao redor do mundo.

Dunant fez uma mudança que creio muitos líderes empresariais querem fazer -aplicando a sua liderança, recursos e relacionamentos de uma forma mais humanitária. Somente com compaixão e generosidade nós poderemos resolver os difíceis desafios à frente, desde a onda crescente de desigualdade até o aquecimento global.

Na minha empresa, Salesforce, nós integramos a filantropia em nosso modelo de negócios desde o primeiro dia, alavancando um por cento de nossa tecnologia, pessoas e recursos para ajudar as instituições sem fins lucrativos no mundo todo a realizarem as suas missões. Até o momento, nós entregamos mais de 100 milhões de dólares em bolsas de auxílio, nossos empregados têm realizado mais de 1.1 milhão de horas como voluntários e nós doamos produtos a mais de 27.000 organizações. Seguindo o nosso exemplo, mais de 550 empresas têm assinado o Pledge 1%, comprometendo um por cento de seu capital, produto e tempo de trabalho de seus empregados para as comunidades.

Como empresas nós podemos ser financeiramente bem-sucedidas e, ao mesmo tempo, fazer deste mundo um lugar melhor para todos. Como líderes empresariais, nós podemos colaborar com nossos clientes, empregados, parceiros, comunidades, governo e instituições para criar uma cultura de confiança que põe o bem-estar das pessoas e do planeta em primeiro lugar. Nós podemos engajar em filantropia corporativa com o mesmo foco e dedicação que damos a outros investimentos de negócios. Nós podemos repensar os nossos sistemas educacionais para treinar a força de trabalho de amanhã. Nós podemos trabalhar juntos para garantir que esta revolução tecnológica contribua para o potencial da humanidade e beneficie todos os cidadãos, não apenas uns poucos.

No futuro, líderes empresariais, não só governamentais, serão julgados por terem sido bem-sucedidos ao direcionar a exponencial onda de inovação tecnológica fazendo deste mundo um lugar melhor. Como disse outro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King Jr. "A questão mais urgente e persistente na vida é: O que você faz pelos outros?"

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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