OPINIÃO

Como é viver em um dos melhores países do mundo

"Aqui a vida é mais simples. As casas não têm muros, não têm câmeras de segurança, horários para andar na rua à noite."

25/05/2017 10:09 -03 | Atualizado 25/05/2017 17:03 -03

É na Ilha de Pitt, parte das Ilhas Chatham, na Nova Zelândia, que o dia nasce primeiro em todo o mundo. Mas, a sensação de estar sempre no futuro parece que vai além do fuso-horário (são impressionantes 16 horas à frente do Brasil, horário de Brasília).

Bem colocada nos mais diferentes rankings de qualidade de vida, segurança, felicidade e dos países menos corruptos do mundo, a ilha da Oceania impressiona turistas de primeira viagem. Cidades modernas e cheias de construções e, ao mesmo tempo, pequenas e perto da natureza.

Em cerca de meia hora, você pode ir do centro de uma grande cidade como Auckland (que abriga mais de ¼ da população da Nova Zelândia) para o campo e desfrutar de paisagens incríveis de montanhas verdes e vulcões inativos. E não é só em Auckland. Todos os centros populacionais da Nova Zelândia ficam a poucos minutos de vistas de perder o fôlego.

As belezas naturais, porém, não foram o que mais me chamaram atenção - apesar de belíssimas, também temos muitas praias, florestas e montanhas incríveis em todas as partes do Brasil. Para brasileiros, inclusive para os paulistanos, o que chama mesmo a atenção ao pisar na Nova Zelândia é ver como as coisas funcionam (quase que) perfeitamente por algo que, até então, nunca tinha dado o devido valor: eles confiam no outro.

Ao primeiro momento, a "confiança" não faz o menor sentido. Mas faz. Em um dos países "mais confiáveis" do mundo, os neozelandeses - que gostam de ser chamados carinhosamente de "kiwis" - levam a sério a tal da confiança. E em todos os sentidos, inclusive na falta de burocracia.

Nos aeroportos do país, por exemplo, não é preciso tantos processos de segurança. Para voos domésticos, o check-in da Air New Zealand (uma das principais companhias aéreas de lá) é o "do it yourself" (ou "faça você mesmo"): é você quem reserva o voo, você quem faz o check-in e emite sua passagem em um dos totens do salão de embarque no aeroporto, é você quem informa quantas malas vai despachar e as pesa em uma balança ao lado, é você quem cola o rastreador em sua bagagem despachada e é você quem despacha a mala. Os atendentes só interferem se alguém pede ajuda ou coloca a mala na esteira de forma errada.

Divulgação/Wellington

Depois disso, esqueça as filas quilométricas para verificar o passaporte e passagem, muito menos para passar pelo raio-x e inspeções rigorosas (não da forma que conhecemos). Depois de despachar a mala, você já está pronto para o embarque. Não revistam sua bagagem de mão e você mesmo quem valida seu tíquete no embarque. Só dentro do avião que uma aeromoça vai verificar se você está no voo certo.

Isso não quer dizer, no entanto, que os aeroportos neozelandeses não sejam seguros. Muito pelo contrário: os procedimentos de segurança são essenciais e levados a sério, mas muitos deles são automatizados e feitos de forma não tão ostensiva do modo que estamos acostumados.

E não é só no aeroporto que a confiança deixa as coisas bem menos burocráticas. Alguns supermercados utilizam o "faça você mesmo" na hora de pagar suas compras. Você quem passa cada produto no scanner, confere o preço e paga.

Brasileiros com quem conversei enquanto estive na Nova Zelândia foram categóricos sobre o povo neozelandês: eles são educados, pontuais e muito confiáveis.

"Aqui a vida é mais simples. As casas não têm muros, não têm câmeras de segurança, horários para andar na rua à noite. As pessoas não perdem tempo e energia se preocupando com essas coisas, burocratizando tudo. É completamente simples e tudo funciona", disse Rafael Lu, de 43 anos. Ele trabalhou por 15 anos no Itaú, em São Paulo, e decidiu mudar o rumo da carreira.

Após quatro meses de aulas de inglês, Lu agora começou seu mestrado na Universidade de Canterbury, em Christchurch, na ilha sul do país.

"Eles chegam a ser até ingênuos. Eles realmente acreditam no que a gente fala", disse Bruna Keller, de 26 anos, que mora há cerca de três anos anos em Auckland.

Minha qualidade de vida mudou muito aqui. Eu chegava a trabalhar 12 horas por dia direto. Em todas empresas que trabalhei aqui, se você faz o seu trabalho no seu horário, ninguém pega no seu pé ou fica vendo se está tudo certo. A relação de confiança é muito grande. Eles confiam tanto que você se sente mal você não falar algo.Bruna Keller

*A jornalista viajou para a Nova Zelândia a convite da Education New Zealand e da Air New Zealand.

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