OPINIÃO

Roraima está em chamas. De novo!

14/03/2016 17:04 BRT | Atualizado 27/01/2017 00:31 BRST
Tarciso Leão/Flickr
Problema grande para a conservação e que recebe menos atenção que deveria. Queimada pode ser solução também desde que planejada e usada com muito critério, o que não é o caso.

Roraima vive uma situação muito preocupante no que diz respeito estiagem e às queimadas. Todos os dias as notícias são mais e mais desalentadoras, com os números de focos de incêndio só aumentando. Falta água na zona rural para animais e para o consumo humano.

Até o último sábado foram identificados 2.400 novos focos de calor, o que é uma enormidade. Somente entre os dias 22 e 25 de janeiro foram registrados 242 focos de calor no interior do Estado. Os municípios com mais registros foram Caracaraí (61), Iracema (41) e Mucajaí (32).

O governo já enviou solicitações de ajuda para o governo do Amazonas e para o Exército Brasileiro. Edital para seleção de 150 brigadistas já está sendo analisado pela assessoria jurídica do governo. Estamos em situação de alerta. A intenção aqui não é ser alarmista, mas apenas registar a realidade preocupante do nosso estado.

Dados oficiais já nos informa que essa é a maior estiagem verificada em Roraima desde o fatídico ano de 1998, quando o estado ficou totalmente tomado pela fumaça e toda a sua população padeceu de problemas respiratórios diversos, além das perdas para o homem do campo e do prejuízo inestimável para o meio ambiente.

Naquele ano de 1998 eu ainda não morava em Roraima (cheguei em 2002), mas acompanhei o drama pela televisão e me compadeci dos que aqui sofriam. Agora, faço parte do contexto e acompanho e documento, enquanto jornalista, esse momento difícil pelo qual passamos.

A situação é extremamente delicada. Dez municípios já estão de estado de emergência, conforme decreto governamental. Outros mais devem entregar seus relatórios e serem incluídos nessa situação de gravidade. O que deixa a situação ainda mais preocupante é que não há nenhuma previsão de chuva para os próximos dias.

Na capital e no interior a população já reclama sobre o efeito sufocante da fumaça. Quem vai aos municípios interioranos de forma corriqueira, como eu faço com frequência, tem uma noção exata do drama vivido pelo homem do campo.

O fogo se espalha inclemente por várias e gigantescas áreas. É comum o aceiro da BR 174 está sendo lambido por labaredas, impondo risco a quem trafega pela rodovia.

Somos todos vítimas da ganância desmedida do homem, que em busca do lucro a qualquer custo tem derrubado as nossas florestas e financiado a mudança drástica do clima.

Como resultado, o El Niño traz seus efeitos catastróficos em todo o planeta. Uns padecem com enchentes, outros, mais ao norte, com nevascas e, nós aqui, vivamos a agonia das queimadas.

O pior é que ainda aparecem suicidas em potencial que ateiam fogo em pontes, achando pouco uma situação que já é gritante por si. Roraima precisa de ajuda agora! Faz-se necessário que mais e mais brigadistas sejam contratados ou se apresentem coo voluntários para lutar contra as chamas, antes que elas fujam absolutamente do controle.

1998 não pode se repetir neste ano de 2016. Roraima não aguenta tamanha desgraça. Nós não merecemos!

Conforme informações do comandante do CBMR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima), coronel Edivaldo Amaral, 2.400 focos...

Posted by Luiz Valério on Monday, January 25, 2016

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