OPINIÃO

O que a palavra uniu o tempo não separa

26/07/2016 13:49 BRT | Atualizado 26/07/2016 13:49 BRT
Vimvertigo via Getty Images
Stack of colorful books, grungy blue background, free copy space Vintage old hardback books on wooden shelf on the deck table, no labels, blank spine. Back to school. Education background

Falar de literatura sob o calor de Boa Vista é sempre um gostoso desafio. O abrigo das paredes azuis da União Operária de Roraima nos protegeu do sol inclemente, hoje, enquanto o escritor Marcelino Freire reverberava dicas sobre como escrever e recitava versos, como quem reza. Versos de poetas conhecidos e anônimos. Em nós o deleito do ouvir.

Assim transcorreu a tarde desta sexta-feira de brasa. A inquietude do último dia. O fascínio pelo presente do momento e pelo momento presente. A oportunidade de poder estar diante de um escritor de verdade. Daqueles que vivem da escrita e pela escrita.

Conversar com Marcelino Freire foi uma mistura de emoção e sensação. O cabra sabe do que fala, como fala e porque fala. Foi uma tertúlia literária das boas. Ele próprio era o dito. Faz o dito. Ah, bendito que semeia palavras, cantos e ladainhas!

Foram dois dias de em diálogos literários. Prosa boa. Despreocupada. Cheia de ritmos e risos. A palavra intercalando o silêncio. O silencia dando cadência à palavra. Muitas vozes ao mesmo tempo. Todo mundo querendo saber e mostrando que sabe. Encantando e se encantado com o escritor que resolveu conhecer Norte e Nordeste pelos caminhos da literatura.

Marcelino queria impressões sobre Boa Vista. Queria despertar nosso olhar inaugural sobre as cosias daqui. Queira instigar e ser instigado. Instigamo-nos a nós todos. E uns aos outros. Marcelino deixa e leva experiência. Agora ele sabe que cruviana é vento frio. Que aqui chove sol todos os dias. Que o Caimbé é forte como o homem sertanejo. Quase uma fênix que renasce das cinzas.

Mais que uma oficina literária, o encontro com Marcelino foi o começo de uma amizade. Que vai durar ainda que não nos vejamos mais. Ainda que os anos passem e, ao passar, nos neguem a oportunidade do reencontro. Porque o que a palavra uniu o tempo não separa. E assim foi. E assim será!

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