OPINIÃO

Atestado de incompetência

11/06/2014 17:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
Getty Images

Dois meses depois de assumir o governo de Roraima, Chico Rodrigues (PSB), decretou estado de emergência nas áreas da saúde e da educação. Usou como justificativa o diagnóstico dos dois setores feito pela Comissão de Orçamento, Finanças e Administração (Cofa). Tanto na saúde quanto na educação foram encontrados problemas de ordem financeira, infraestrutura e qualidade dos servidos prestados. Chico Rodrigues jura de pés juntos que não sabia da situação caótica das duas pastas. Afinal, ele só era vice-governador. Dá para acreditar? Fica a dúvida.

O fato é que o quadro das áreas da saúde e educação públicas é preocupante em todo o estado, seja em âmbito municipal e estadual. O Hospital Francisco Ricardo de Macedo, de São Luiz do Anauá, foi interditado pela Vigilância Sanitária. O novo Hospital de Rorainópolis, inaugurado no apagar das luzes da gestão do ex-governador José de Anchieta (PSDB), que deixou o cargo para concorrer ao Senado, funciona em situação precária, o que não deveria estar acontecendo numa unidade de saúde que acabou de ser entregue à população. Este blogueiro recebeu mensagens de textos de usuários falando de falta de profissionais, medicamento, leitos e de equipamentos.

Em Caracaraí, o hospital local, de responsabilidade do município, também se mostra sucateado. Pacientes reclamam dos mesmos problemas: falta de médicos, laboratório fechado em horário de atendimento ao público, carência de remédios, etc, etc, etc. Iracema, Caroebe e São João da Baliza já figuraram nas páginas dos jornais locais com queixas semelhantes. Ou seja, a saúde em Roraima está muito doente, quase em estado terminal.

Quando o assunto é educação, a situação é de igual descaso. Na vila Nova Colina, em Rorainópolis, alunos estudam em salas que ficam alagadas em dias de chuva. O telhado da Escola Municipal Josefa da Silva Gomes parece uma peneira. Em São João da Baliza os profissionais da educação ameaçam paralisar as atividades, no segundo semestre letivo. Eles reclamam dos baixos salários, do não pagamento de progressões e do salário referente a dezembro de 2012, remanescentes da gestão do prefeito Chico Maia (PSDB) e condições precárias de trabalho, entre outras coisas.

Como se pode perceber, a situação é alarmante em praticamente todo o estado. O que não dá para entender é como um estado, que recebe proporcionalmente a maior soma de recursos entre as unidades da federação, segundo números apresentados na Assembleia Legislativa pelo ex-governador e atual deputado Flamarion Portela (PTC), pode ficar nessa situação. Das duas uma: ou os gestores estão reprovados no quesito competência ou eles estão fazendo um péssimo uso (para a população) do dinheiro público. Ou ainda: o dinheiro, de fato, está escorrendo pelo ralo da corrupção. Os órgãos fiscalizadores precisam encontrar a resposta.

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