OPINIÃO

Uber, preço dinâmico e a soberania do consumidor

03/01/2016 14:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

A polêmica quanto ao sistema de preços praticado pela Uber nas ocasiões de sobrecarga de demanda (como na enorme quantidade de usuários na véspera do Ano Novo) é uma boa oportunidade não apenas para que os clientes do serviço deem sua opinião, mas também para explicar a lei econômica de oferta e demanda e como o livre-mercado valoriza a escolha do consumidor -- mais do que economias dotadas de baixo grau de liberdade, a exemplo das práticas usuais do Brasil.

Discussões como as sobre a Uber, vale frisar, são raridade no País. Poucas vezes vemos consumidores debatendo modelos de negócio, interagindo diretamente com as empresas e voltando para as discussões com as respostas e soluções apresentadas por elas.

Caso o transporte particular privado já tivesse sido restrito pelas leis de um punhado de políticos fisiológicos distantes do povo, estando a mercê de agências reguladoras e sindicatos igualmente interessados apenas em seus próprios interesses, é provável que o poder disperso dos cidadãos fosse derrotado pelo poder concentrado desses pequenos grupos de interesse.

Felizmente, não é o caso. Por circunstâncias excepcionais, nos encontramos em uma relação econômica bastante liberal: de um lado, os clientes e potenciais clientes formando a opinião pública. Do outro, a Uber e sua necessidade de conquistar nossa preferência.

Incentivos em alta para motoristas em baixa

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O preço dinâmico praticado pela empresa não é um artifício de exploração. Isso fica evidente pela clareza com que ela o apresenta. Clientes com algumas semanas de cadastro usualmente já receberam emails com explicações detalhadas da forma como ele funciona.

Trata-se de uma solução possível para um problema: o que fazer quando os motoristas na rua são insuficientes para atender os clientes que desejam o serviço?

É preciso colocar mais motoristas nesse cenário. E para isso, um incentivo para que motoristas ociosos sejam encorajados a trabalhar precisa ser feito.

Talvez o seu Antônio não queira trabalhar pelo preço de uma corrida normal na véspera do Ano Novo. Mas e se a corrida rendesse mais dinheiro a ele? Estaria seu Antônio disposto a sair do conforto de sua casa e família para levar você aonde deseja?

Bingo.

Olhos e ouvidos do mercado

Eis a lógica do preço dinâmico, baseada na lei de oferta e demanda: quanto mais requisitado é um produto ou serviço, mais quem o oferece tende a lucrar com ele.

Interessados nesse lucro, mais fornecedores buscarão atender a demanda e também ganhar seu sustento.

À medida que a oferta aumenta, o preço do produto/serviço diminui, já que ele vai se tornando abundante e o consumidor pode adquiri-lo mais facilmente.

Esse é um mecanismo comum do mercado para fazer que as necessidades da sociedade sejam atendidas. São os preços que fazem produtores e empreendedores saberem o que você demanda.

Em uma sociedade complexa, essa fantástica ferramenta interage e concilia necessidades, desejos e custos de produção para propiciar uma transação econômica que seja razoável tanto para quem vende quanto para quem compra.

A ausência do sistema de preços, isto é, o tabelamento arbitrário do governo sobre produtos e serviços, possui consequências desastrosas.

Como saber o que a sociedade demanda? Em que quantidade, sob qual forma?

Impraticável. Está ai o motivo da escassez de produtos básicos nos regimes socialistas do século XX. Ou na Venezuela de hoje, com alimentos faltando e barbárie sobrando.

Não esqueçamos do Brasil de ontem, onde os ''fiscais do Sarney'' defendiam o tabelamento de preços do fracassado Plano Cruzado.

A desastrosa mentalidade gerada nessa época,

como bem apontou Roberto Campos, prejudicou as ideias econômicas de toda uma geração de brasileiros.

Preços flutuantes são sinal de uma economia ágil e próspera, que reconhece a necessidade de se premiar o trabalho que atende às exigências das pessoas que constroem suas vidas nesta sociedade livre.

O cliente sempre tem razão

Entender a lógica e utilidade do sistema de preços não lhe obriga a concordar com a Uber. No mercado, a decisão é do consumidor, que é dono do dinheiro e tem suas preferências.

Quem decidirá quais modelos de negócio irão prosperar, e quais irão desaparecer, são estas pessoas comuns, com suas escolhas diárias e opiniões dadas para suas famílias e amigos.

Existem aqueles que acreditam que o preço dinâmico da Uber é uma boa solução para o problema da falta de motoristas em eventos onde a demanda está sobrecarrega a oferta existente.

Existem aqueles que até gostam do preço dinâmico, mas acreditam que o multiplicador deveria ter um limite mais baixo.

E existem aqueles que não querem preço dinâmico algum, preferindo ficar sem transporte a pagar um valor maior pelas corridas.

O veredito do público guiará as ações da Uber. E a resposta dela vem se alinhando à comoção que estamos observando, com clientes divulgando que suas tarifas do Ano Novo foram diminuídas.

A escolha está em nossas mãos, e assim deve ser.

Não são políticos e burocratas que pagam e usam o serviço, nem devem eles impor como nós e a Uber devemos nos relacionar.

Temos o poder, e com ele a responsabilidade. E ninguém prezará tanto por nossa tranquilidade e bem-estar quanto nós mesmos.

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