OPINIÃO

Políticos atacam a Uber: Quem tem medo de livre-mercado?

Monopólios e cartéis como os de táxi utilizam a regulação do Estado para esmagar a concorrência.

07/04/2017 18:24 -03 | Atualizado 10/04/2017 17:12 -03
Tyrone Siu / Reuters
Uber está na mira de deputados e cartéis de táxi.

Desprezando o cidadão comum e seu poder de escolha, o cartel de táxis comemorou a aprovação na Câmara de um projeto de lei que mata a Uber e demais aplicativos de transporte privado. É a breve vitória de sindicalistas mafiosos que desejam manter seus privilégios nem que seja pela força.

Apesar da indignação generalizada, nota-se que muitas pessoas ainda ignoram que o processo legislativo brasileiro é amigo das corporações e inimigo do livre-mercado.

Somos doutrinados em nossa péssima educação básica, pobre em diversidade intelectual e pior ainda no debate de ideias, a crer que o mercado precisa de regulação do Estado pois tende a gerar cartéis e monopólios se deixado operar livremente.

O caso da Uber mostra a realidade: contra o livre-mercado, monopólios e cartéis como os de táxi utilizam a regulação do Estado para esmagar a concorrência e impedir uma competição genuína nos setores que dominam.

Ironicamente, muitas dessas empresas são estatais, fazendo parte da máquina que alega proteger o ''correto funcionamento do mercado''.

O Brasil está cheio destes casos: na telefonia, na televisão, no transporte rodoviário, nos bancos, nos correios, nas petrolíferas, a lista segue.

É impossível observar qualquer setor da economia sem ver doses cavalares de anticapitalismo e corporativismo nas regulações que recaem sobre ele.

E quem cria estas regulações são nada menos que os políticos de que o povo tanto desconfia.

Mas se não confiamos nos políticos, por que deixamos que eles controlem tanto a economia do País?

Qual o sentido da Uber, que faz um serviço apreciado por seus clientes e emprega mais de 50 mil pessoas no Brasil, deixar de existir só porque os taxistas odeiam ter uma concorrente competente?

A livre-iniciativa trouxe uma grande ideia para melhorar o transporte individual, e a livre-concorrência mostrou que o povo acha essa ideia melhor para resolver seus problemas que o táxi estatal.

Atacar isso é atacar o bem-estar da sociedade em nome de tentar forçar o povo a usar o serviço dos taxistas, mais caro e de pior qualidade.

O resultado de tirar o poder de escolha do cidadão e entregá-lo nas mãos da classe política é o empobrecimento das pessoas comuns em prol dos interesses da elite no poder e seus compadres que controlam os monopólios e cartéis na economia.

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Políticos têm medo de ter seus poderes reduzidos ao serem vistos como inúteis. Corporativistas temem que concorrentes talentosos os impeçam de ter altos lucros com serviços medíocres.

Ambos têm motivos para temer o livre-mercado, e por isso o sabotam a cada oportunidade.

O brasileiro precisa parar de votar em quem promete consertar o País e começar a votar em quem diz que descomplicará sua vida.

A expansão do poder político e do controle estatal serve aos que querem explorar os outros, não aos que desejam servir suas comunidades e ganhar a vida trabalhando honestamente.

Tais forças corruptas, agora no Senado, tentarão convencer a população de que a Uber é um perigo e devemos usar só os transportes que eles quiserem nos deixar usar, do jeito que quiserem.

Caso queira resgatar seu direito de escolha, a resposta popular precisa rejeitar tal tirania e deixar claro que o Congresso passou dos limites. O melhor remédio para conter o apetite dos parlamentares é a pressão do eleitorado.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

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